ANDRÉ BORGES
FOLHAPRESS
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos está se mobilizando para tentar impedir ou diminuir o impacto da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a esse setor.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) vai participar das audiências públicas organizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que está aceitando opiniões até 1º de julho. Uma audiência será feita em 6 de julho, e a decisão final sai em 15 de julho.
De acordo com o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, o objetivo é mostrar que essa medida não é economicamente justificável e pode prejudicar também empresas americanas.
“Máquinas e equipamentos são bens de capital, que não fazem parte dos itens que influenciam a inflação”, explicou Velloso. Ele destacou que a tarifa parece sem sentido, já que os Estados Unidos têm superávit comercial neste segmento, vendendo mais máquinas para o Brasil do que comprando.
Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 3,6 bilhões em máquinas para os EUA, enquanto importou US$ 4 bilhões, resultando em um déficit para o Brasil.
Velloso ressaltou que a tarifa vai encarecer as máquinas brasileiras para os EUA, o maior comprador desses produtos, e isso pode afetar também empresas americanas que fazem parte do mesmo grupo econômico, pois 82% das exportações brasileiras de máquinas para os EUA são entre companhias ligadas.
A Abimaq também acredita que a tarifa pode fortalecer a China. Atualmente, as máquinas chinesas enfrentam tarifas de cerca de 30% nos EUA. A nova taxa para o Brasil diminuiria a vantagem competitiva dos equipamentos brasileiros frente aos chineses.
Velloso afirmou que a medida pode aumentar as vendas chinesas e que as empresas americanas podem buscar máquinas de fabricantes chineses, que têm grande produção e apoio do governo.
Nos últimos anos, a participação dos EUA nas exportações brasileiras de máquinas caiu de 26% para cerca de 13%, em parte por causa de tarifas e pelo crescimento das vendas para outros países.
Enquanto busca mudar essa situação, a indústria brasileira pretende acelerar as vendas atuais, que têm uma tarifa de 10%, esperando um aumento temporário nas exportações.
Apesar dos desafios, o setor conseguiu compensar parte das perdas, somando US$ 14,4 bilhões em exportações nos últimos 12 meses, com destaque para a Argentina e Singapura.

