FOLHAPRESS
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (9) negar o pedido de habeas corpus da influenciadora Deolane Bezerra, que está presa desde 21 de maio. Ela cumpre pena na penitenciária feminina de Tupi Paulista, em São Paulo.
Deolane é investigada por supostamente atuar como intermediária na lavagem de dinheiro ligada à família de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). O Ministério Público aponta uma ligação próxima entre Deolane e a família de Marcola, ambas as partes negam as acusações.
As investigações indicam que o esquema envolve empresas fictícias para movimentar valores de origem suspeita.
Os advogados de Deolane argumentaram que não existem fundamentos legais para manter a prisão preventiva, que não tem prazo definido, por falta de risco à ordem pública, à investigação criminal ou a aplicação da lei. Eles solicitaram que a prisão seja convertida em domiciliar.
Contudo, os ministros do STJ decidiram manter a prisão preventiva, entendendo que o caso ainda está sendo analisado em instâncias inferiores.
O Ministério Público destacou a proximidade entre Deolane e Francisca Alves da Silva, esposa de Alejandro Camacho Júnior, irmão de Marcola, fator que ajudou a iniciar a investigação sobre a participação da influenciadora na lavagem de dinheiro para o PCC.
No fim de maio, a defesa de Marcola afirmou que ele não conhece Deolane Bezerra e que está indignado com as investigações sobre lavagem de dinheiro envolvendo a facção.
Em relatório encaminhado à Justiça paulista em 29 de maio, a Polícia Civil pediu o indiciamento de sete pessoas, incluindo Marcola e Deolane. Também há investigações sobre as irmãs e a mãe da influenciadora, suspeitas de participação no esquema.
A apuração mostra que a empresa Lado a Lado teria função de movimentar recursos financeiros do crime organizado.
Segundo a Receita Federal, Deolane declarou ter recebido uma pequena parte do total movimentado em suas contas bancárias nos últimos quatro anos, enquanto a polícia encontrou valores muito maiores não declarados.
Foram identificados R$ 7,6 milhões em créditos entre 2018 e 2022, sendo que apenas R$ 577 mil foram informados ao órgão fiscalizador. Essas informações estão no relatório final da investigação sobre lavagem e ocultação de valores ligados à facção criminosa.
A Polícia Civil descreve uma complexa estrutura financeira ligada a Deolane Bezerra e destacou que seu padrão de vida não condiz com rendimentos lícitos declarados.
Em carta enviada da prisão, Deolane negou sua participação no esquema e afirmou ser vítima de perseguição por sua atuação pública.

