Um grupo criminoso atuava dentro de ônibus no Distrito Federal utilizando conversas, distrações e esbarrões estratégicos para furtar celulares sem que as vítimas percebessem. A Polícia Civil do DF (PCDF) identificou essa forma de agir durante investigações realizadas pela 26ª Delegacia de Polícia, que resultaram em uma operação nesta terça-feira (9/6).
No total, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Samambaia (DF). A organização criminosa contava com pelo menos oito integrantes, sendo que cinco já foram identificados pela polícia.
A dinâmica dos crimes acontecia principalmente em horários de maior movimento, quando os ônibus estavam lotados e o contato entre passageiros era constante. Os suspeitos se espalhavam pelo veículo e agiam de forma coordenada: enquanto um iniciava conversas, fazia perguntas ou provocava esbarrões aparentemente casuais, outro furtava o celular da vítima sem ser notado.
Os criminosos se posicionavam na parte frontal dos ônibus, próximo à área destinada a cadeirantes, onde há maior circulação de passageiros durante o embarque e desembarque. Neste local, facilitavam a aproximação das vítimas e a execução dos furtos.
Havia uma estrutura hierárquica no grupo, com um homem de 58 anos responsável por coordenar as atividades, apoiado por duas mulheres, de 47 e 33 anos, e outros dois homens, de 47 e 32 anos. Na maioria dos casos, o furto só era percebido depois que a vítima desembarcava ou tentava usar o celular, enquanto os suspeitos já haviam deixado o local.
A principal fonte de renda do grupo era o furto de celulares. Além disso, a quadrilha contava com receptadores que repassavam os aparelhos e uma rede de apoio para auxiliar integrantes já presos ou investigados.
Investigação em andamento
A polícia conseguiu relacionar o grupo a pelo menos oito furtos em ônibus, todos em Samambaia (DF), mas acredita que o número possa ser maior. Também está sendo investigada a possível atuação fora do Distrito Federal, com registros em cidades como Anápolis (GO) e São Paulo (SP).
Uma das investigadas já havia sido presa em 2019, em São Paulo, quando foi flagrada com cerca de 30 celulares de origem criminosa.
Durante a operação, a polícia apreendeu diversos aparelhos e equipamentos eletrônicos que podem estar relacionados aos furtos. O material será analisado para identificar novas vítimas, rastrear o destino dos celulares e encontrar outros membros da organização.
Os suspeitos responderão por furto qualificado e organização criminosa, podendo receber penas que somam até 18 anos de prisão, sem prejuízo de novas acusações durante o andamento das investigações.
