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terça-feira, 21/07/2026

Justiça determina júri para três policiais acusados de matar jovens na Gamboa, em Salvador

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João Pedro Pitombo
FolhaPress

Três policiais militares serão julgados pelo Tribunal do Júri por serem acusados de matar três jovens negros durante uma operação na comunidade da Gamboa, em Salvador, em 2022.

Em uma decisão no dia 6 de julho, o juiz Paulo Sérgio Barbosa de Oliveira afirmou que há provas suficientes para que os policiais sejam julgados por um júri popular.

Os policiais Tárcio Oliveira Nascimento, Thiago Leon Pereira Santos e Lucas dos Anjos Bacelar Dias vão responder por homicídio qualificado, uso de meio perigoso e outros crimes. A data do julgamento ainda não foi marcada.

O advogado que defende os policiais, Bruno Bahia Teixeira, disse que vai falar sobre o caso apenas no processo.

Os jovens mortos são Alexandre Santos dos Reis, 20 anos, Cléverson Guimarães Cruz, 22 anos, e Patrick Sousa Sapucaia, 16 anos. Eles foram mortos no dia 1º de março de 2022, durante o Carnaval.

Segundo o juiz, as provas mostram que não houve confronto armado entre os policiais e os jovens.

Investigações indicam que dois jovens foram baleados na escadaria da comunidade e levados para dentro de uma casa abandonada, onde o terceiro jovem foi assassinado.

Essa versão é diferente da que os policiais deram, pois eles disseram que os tiros foram disparados em um confronto dentro da casa.

Testemunhas e familiares das vítimas afirmam que houve uma perseguição.

O Ministério Público da Bahia acredita que os policiais abordaram, perseguiram e atiraram nos jovens com uma submetralhadora, mesmo sem haver nenhum confronto.

Na época, os policiais disseram que houve confronto e que os jovens foram atingidos dentro da casa. Todos chegaram ao hospital já sem vida.

Perícias mostram que dois jovens foram baleados na rua e depois arrastados para dentro da casa, onde o terceiro jovem foi morto. Marcas de sangue nas escadas foram apagadas para esconder evidências.

A Promotoria afirma que os policiais tentaram esconder a verdade, colocando armas falsas para parecer que houve um confronto.

Perícias feitas nas mãos das vítimas mostraram que nenhuma estava com resíduos de tiros.

As armas que os policiais disseram ter encontrado estavam com defeito e não podiam ser usadas.

As mortes causaram protestos na Gamboa e moradores bloquearam a avenida Contorno, que liga o centro de Salvador aos bairros da orla.

O caso aconteceu em um momento em que a Bahia teve muitos casos de mortes causadas por ações policiais. Em 2022, o estado registrou o maior número de mortes desse tipo no Brasil, com 1.464 casos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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