O dólar tem perdido valor em relação ao real por dois motivos principais: o aumento do preço do petróleo Brent, que está acima de 90 dólares por barril, beneficiando o Brasil como exportador, e o interesse em operações conhecidas como carry trade, devido aos altos juros reais no Brasil, que devem diminuir futuramente. Com isso, o real foi a segunda moeda emergente que mais se valorizou recentemente, atrás apenas do peso colombiano.
Na terça-feira, o dólar à vista fechou em queda, atingindo o menor valor desde meados de junho. Enquanto isso, o índice que mede o dólar frente a moedas fortes teve leve alta, indicando que o dólar perde força principalmente perante o real.
A tensão no Oriente Médio tem impulsionado o aumento do preço do petróleo, especialmente com preocupações sobre o bloqueio do Estreito de Bab-el-Mandeb pelo grupo iemenita Houthi. O Brent para setembro fechou com alta de 2%, a US$ 91,01 o barril.
Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, comenta que as ameaças do grupo Houthi podem prejudicar o fluxo mundial de petróleo. Ela ressalta que o conflito entre os EUA e o Irã está ativo há 10 dias, e o presidente dos EUA, Donald Trump, não demonstra interesse em negociações com Teerã no momento.
Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, explica que, diferente de episódios anteriores, o preço do petróleo está estável entre 85 e 95 dólares, o que é positivo para o Brasil, que depende das commodities. Ele afirma que o fluxo estrangeiro está ajudando a fortalecer o real através do carry trade, já que os juros reais brasileiros são elevados.
Marcos Vinícius Oliveira, da ZIIN Investimentos, reforça que o diferencial dos juros entre Brasil e EUA continua atrativo, o que pode fazer o Federal Reserve pausar aumentos de juros, beneficiando o carry trade.
Bolsa
A Bolsa de Valores teve uma leve recuperação graças aos setores de commodities e financeiro, mas ainda encerrou o dia com uma pequena queda, a quinta consecutiva. O volume de negócios permaneceu baixo, refletindo incertezas locais e internacionais.
Os maiores ganhos foram das ações da Petrobras e Vale, impulsionadas pelo aumento do petróleo e expectativas positivas. Bancos também tiveram alta, com destaque para Banco do Brasil, Itaú e Bradesco.
O índice Ibovespa terminou fechado praticamente estável, com leve queda e baixa liquidez. Em contraste, bolsas internacionais fecharam em alta, lideradas por setores de tecnologia.
Juros
Os juros futuros terminaram o dia com pequena alta, em um ambiente de baixa liquidez e sem grandes notícias econômicas. As taxas dos títulos públicos tiveram leve alta, acompanhando o movimento internacional dos Treasuries, que responderam às tensões no Oriente Médio.
Gustavo Okuyama, head de renda fixa da Porto Asset, observa que o mercado local mostrou resistência, apesar da pressão global, principalmente por conta do ambiente mais enxuto e do momento do ciclo de política monetária no Brasil.
Os investidores continuam monitorando o conflito no Oriente Médio e seus impactos no preço do petróleo. Segundo Daan Struyven, do Goldman Sachs, existe o risco do preço do petróleo subir ainda mais no quarto trimestre, especialmente se o fluxo pelo Estreito de Ormuz for interrompido.
Além disso, o Tesouro Nacional realizou vendas de títulos atrelados à inflação, que ajudaram a aliviar a pressão sobre o mercado de renda fixa.
Mesmo com o cenário internacional desafiador, o mercado brasileiro permanece relativamente estável, refletindo a importância das commodities para a economia e o papel do carry trade na valorização do real.
