A gestora de investimentos XP Asset Management fez a venda de duas participações importantes: a fintech Will Bank e a rede de restaurantes Alife Nino, para o Banco Master. O valor dessa negociação foi de R$ 385 milhões, mas o pagamento não entrou em dinheiro vivo; foram recebidos em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo próprio Banco Master.
Essa negociação ocorreu enquanto o Banco Master já enfrentava dificuldades financeiras, o que gerou alertas de auditores independentes sobre os valores contábeis dos ativos. Logo após a venda, a maior parte desses CDBs foi rapidamente comercializada na própria plataforma da XP, transformando esses títulos em dinheiro líquido.
A XP informou que a decisão de vender suas participações minoritárias no Will Bank e na Alife Nino foi tomada em 2024 e concluída antes de qualquer problema recente envolvendo o Banco Master ser conhecido publicamente. A operação seguiu rigorosamente as normas de mercado e foi aprovada pelos órgãos reguladores competentes.
Os investimentos na Will Bank e na Alife Nino faziam parte do fundo XP Private Equity I, que compra fatias em empresas para valorizá-las e revendê-las em média de cinco a sete anos. É incomum que fundos recebam como pagamento títulos de renda fixa, como os CDBs, ou que os mantenham na carteira por muito tempo.
Em março de 2025, o fundo XP Private Equity I possuía um patrimônio líquido de R$ 2,32 bilhões, valor que representa o dinheiro de investidores qualificados, não da XP diretamente.
A XP agiu para vender rapidamente os CDBs do Banco Master no mercado secundário, onde esses títulos podem ser negociados entre investidores, garantindo liquidez. Até março de 2025, a maior parte dos R$ 385 milhões em CDBs já havia sido vendida, e o restante foi liquidado em maio do mesmo ano.
Detalhes da transação
- Vendedor: XP Asset Management, por meio do fundo XP Private Equity I
- Comprador: Banco Master, via fundo Strelitzia FIP para a compra da Alife Nino
- Ativos negociados:
Will Bank: 14,9% da fintech vendido por R$ 205 milhões, avaliando a empresa em R$ 1,4 bilhão.
Alife Nino: 21,3% da rede de 67 restaurantes, por R$ 180 milhões, avaliando o negócio em R$ 890 milhões.
Alertas dos auditores
Auditores da E&Y levantaram dúvidas em 2024 sobre o valor contábil do Will Bank no fundo XP Private Equity I, que desapareceram após a venda para o Banco Master. Já os auditores da Planners não puderam opinar sobre as demonstrações financeiras da Alife Nino em 2025, devido à falta de balanços auditados, o que impede confirmação dos valores e da saúde financeira da rede.
Mecanismo fora do comum
Ao contrário do usual, o pagamento pela venda das participações não foi em dinheiro, mas em CDBs emitidos pelo Banco Master, o que atrasou o recebimento do valor pela XP. Esse movimento ajudou o banco a aliviar sua situação de liquidez no momento difícil.
Liquidez rápida dos CDBs
Mesmo com vencimentos futuros, a XP rapidamente vendeu a maior parte dos CDBs no mercado secundário através da plataforma, realizando quase toda a liquidação até maio de 2025, o que evitou exposição prolongada ao risco do banco.
Venda da rede de restaurantes
A rede Alife Nino, proprietária dos restaurantes como Nino Cucina e Tatu Bola, foi vendida para o fundo Strelitzia FIP do Banco Master no início de 2025, em momento em que o banco já enfrentava sérios problemas financeiros e regulatórios. A avaliação da rede foi significativamente maior que outras empresas do setor com muitas mais unidades.
Contexto do Will Bank
Já o Will Bank passava por dificuldades regulatórias desde 2023 por não cumprir índices mínimos de capital exigidos. O Banco Master foi o comprador que buscou injetar recursos na fintech para mantê-la operacional.
Auditoria e segurança para investidores
Especialistas afirmam que as auditorias são importantes para garantir a veracidade das informações financeiras dos fundos, dando segurança aos investidores sobre os valores contabilizados.
XP como maior vendedora de CDBs do Master
A XP foi responsável pela venda de R$ 26 bilhões em CDBs do Banco Master através de sua plataforma, títulos que ofereciam rendimentos superiores ao mercado, mas com risco associado ao banco. Após a liquidação do banco, o Fundo Garantidor de Créditos teve que desembolsar bilhões para ressarcir os investidores, impactando o custo creditício no país.
Posicionamento da XP
A XP ressaltou que os fundos que participaram dessas operações são independentes, compostos por recursos de investidores qualificados, sem capital próprio da empresa, e que a venda seguiu todas as normas regulatórias e práticas de mercado.
A XP destacou ainda que não teve envolvimento na gestão dos ativos ou nos eventos investigados pelas autoridades relacionadas ao Banco Master.

