A organização Anistia Internacional acusou Israel de promover a limpeza étnica contra comunidades beduínas e pastoris na Cisjordânia ocupada, e de cometer crimes contra a humanidade por meio do deslocamento forçado dessas populações.
O relatório divulgado pela ONG destaca que entre 2023 e 2025, 27 comunidades palestinas foram removidas à força ou estão ameaçadas de despejo na área C da Cisjordânia, região que representa 60% do território e está sob controle israelense desde a década de 1990.
A Anistia Internacional alerta a comunidade global para reagir contra a anexação desse território palestino. Segundo a entidade, o governo israelense tem acelerado a expansão dos assentamentos, apropriado terras palestinas e apoiado os colonos, o que tem resultado em um aumento da violência e no deslocamento forçado de palestinos.
O executivo liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, identificado como um dos mais à direita do país, é acusado de seguir uma agenda nacionalista religiosa que favorece a ocupação e os assentamentos. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, também de posição extrema, apoia publicamente a anexação da Cisjordânia e teve sua entrada proibida na França devido a essa postura.
Mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, área considerada ilegal pelo direito internacional, enquanto aproximadamente três milhões de palestinos residem na mesma região. A violência aumentou desde o ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023, com uma média de seis ataques diários de colonos, conforme dados da ONU.
A Anistia Internacional ressalta que a limpeza étnica está sendo organizada e apoiada pelo Estado israelense, não se tratando de ações isoladas de colonos. Comunidades beduínas e pastoris, frequentemente isoladas e sem acesso a serviços básicos de segurança, são especialmente vulneráveis.
Casos recentes mostram a saída forçada de comunidades beduínas como a de Ras Ein al-Auja sob pressão de colonos. Moradores afirmam que seu modo de vida, cultura e identidade foram profundamente afetados.
Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia, fez um apelo para que líderes globais que se opõem à anexação tomem medidas concretas, destacando que a inação contribui para crimes contra a humanidade.
Ela também enfatizou a necessidade de proibição imediata de qualquer comércio, investimento ou assistência financeira que contribua para a ocupação ilegal, o sistema de apartheid e a limpeza étnica dos palestinos por parte de Israel.
Em maio, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos já havia alertado para sinais de limpeza étnica na Cisjordânia.

