Uma troca inesperada nas chefias da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) e da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), ambas do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), causou desconforto e preocupação entre os investigadores da corporação. A alteração ocorreu poucos meses antes das eleições do Governo do Distrito Federal, provocando um clima de instabilidade nos bastidores da instituição.
Policiais da Cord demonstram frustração com a mudança, temendo que isso atrase ou interrompa investigações importantes relacionadas ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Sob o comando do delegado Rogério Rezende, a Cord realizou em 2025 quatro operações significativas, cumpriu aproximadamente 200 mandados de prisão e efetuou mais de 40 flagrantes. Nas principais ações foram presas mais de 80 pessoas ligadas a organizações criminosas investigadas.
Drogas retiradas de circulação e bloqueios financeiros
No mesmo ano, a Cord realizou mais de 150 mandados de busca e apreensão, retirando de circulação mais de 8,5 toneladas de drogas, avaliadas em cerca de R$ 4 milhões. As investigações identificaram cerca de R$ 150 milhões em movimentações financeiras suspeitas relacionadas ao tráfico, resultando no bloqueio de contas bancárias e no sequestro de imóveis, veículos e empresas usados para ocultar recursos ilegais.
Especialistas consultados ressaltam que mudanças em cargos de chefia podem demandar tempo de adaptação e afetar o fluxo de informações, a estratégia das operações e a condução de procedimentos sigilosos já avançados. A proximidade com o período eleitoral e a possibilidade de novas alterações na estrutura da PCDF aumentam a incerteza entre os servidores.
Nos corredores do DPE, percepções indicam que a estrutura produtiva da especializada terá uma reacomodação justamente quando investigações importantes estão em curso, o que pode dificultar ainda mais o combate às organizações criminosas no Distrito Federal.
