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quarta-feira, 10/06/2026

Alerta sobre tráfico humano para golpes digitais na Ásia

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Aloysio Mares destacou que vítimas são forçadas a atuar em fraudes envolvendo criptomoedas e jogos de azar.

Especialistas informaram, em audiência pública realizada na terça-feira (9), que o tráfico de pessoas tem deslocado vítimas para centros de golpes digitais no Sudeste Asiático, substituindo a exploração sexual tradicional.

O tema foi abordado em encontro do grupo de trabalho da Câmara dos Deputados, vinculado à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, que discute estratégias para enfrentar o tráfico humano.

O embaixador Aloysio Mares, representante do Itamaraty, explicou que quadrilhas atraem jovens com habilidades em informática prometendo ganhos financeiros fáceis.

Ao chegarem nesses centros, as pessoas têm seus documentos retidos, deixam de receber salários e podem sofrer violência física caso não atinjam metas diárias de fraudes.

“No exterior, as vítimas são submetidas à exploração laboral e obrigadas a cometer golpes pela internet, como fraudes com criptomoedas, jogos de azar e falsos relacionamentos usados para extorquir outras pessoas. Além disso, são forçadas a recrutar novas vítimas da mesma nacionalidade”, relatou.

Em 2023, o Itamaraty registrou 153 denúncias de tráfico de pessoas no exterior, número que chegou a 152 em 2024. Porém, esses dados representam apenas uma pequena fração do problema, devido à grande subnotificação.

Aloysio Mares acrescentou que vítimas resgatadas recebem abrigo, suporte psicológico e assistência para o retorno voluntário ao Brasil, com apoio coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Dificuldades nas investigações

Marina Bernardes de Almeida, coordenadora-geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Ministério da Justiça, disse que, além das promessas financeiras, os traficantes utilizam tecnologias para monitorar brasileiros no exterior, o que dificulta pedidos de ajuda e ações investigativas.

“As vítimas relataram serem controladas por aplicativos de localização no celular. A internet é um componente crucial que dificulta a repressão, pois agora o autor do crime muitas vezes não está próximo da vítima”, explicou.

Protocolo de combate

O governo federal emprega o Protocolo Operativo Padrão de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas para resgatar brasileiros no exterior, um conjunto de procedimentos integrados entre Itamaraty e Polícia Federal.

Marina afirmou que a correta aplicação do protocolo desde o primeiro atendimento protege as vítimas e diminui a possibilidade de novos danos durante a assistência e investigação.

Lavagem de dinheiro

Ela ressaltou a importância de atacar a estrutura financeira do crime, incluindo meios de pagamento e mecanismos para lavagem de dinheiro, pois combater apenas os executores permite que o sistema volte a se fortalecer.

Tráfico infantil e subnotificação

Aloysio Mares informou que não há registros de crianças e adolescentes vítimas do tráfico internacional nos dados consulares.

A deputada Carla Dickson (PL-RN), coordenadora do grupo de trabalho, alertou que a ausência desses dados pode ser sinal de uma grande subnotificação. Ela destacou a discrepância entre o número de crianças desaparecidas no Brasil e os registros oficiais enviados ao Itamaraty, ressaltando a preocupação com a falta de informações sobre crianças traficadas.

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