24.5 C
Brasília
sexta-feira, 08/05/2026

Negociações sobre tarifas são foco na reunião entre Lula e Trump

Brasília
céu limpo
24.5 ° C
24.5 °
24.5 °
50 %
3.1kmh
0 %
sáb
28 °
dom
28 °
seg
28 °
ter
28 °
qua
23 °

Em Brasília

MARIANA BRASIL E ISABELLA MENON
FOLHAPRESS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump, para conversar principalmente sobre tarifas comerciais. Lula anunciou que foi estabelecido um prazo de 30 dias para a criação de um grupo de trabalho entre os dois países para tratar dessas tarifas e da investigação aberta pelos EUA em 2025.

Trump disse que representantes dos dois governos continuarão em contato e que novos encontros podem acontecer em breve. Apesar da reunião ter sido vista com bons olhos, não houve uma decisão final.

Conforme comentários feitos por pessoas próximas a Lula, o mandato de Trump tem sido marcado por decisões instáveis, o que traz incertezas para as negociações.

A investigação mencionada ocorre sob a Seção 301 e é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que tem como alvo o Pix, o comércio na rua 25 de Março em São Paulo e o etanol.

Essa regra americana permite que os EUA apliquem medidas tarifárias ou não tarifárias contra países que adotem práticas consideradas injustas ao comércio americano. Já foram alvos China e União Europeia.

O representante americano Jamieson Greer, que estava presente na reunião, adotou uma postura mais firme. Durante as três horas de encontro, os temas mudavam com frequência e, às vezes, eram abordados rapidamente.

Os EUA insistiram em tarifas específicas para justificar o que chamam de déficit comercial com o Brasil, mas o governo brasileiro vê essa posição como sem fundamento e uma tentativa de limitar medidas unilaterais.

O governo brasileiro reconhece que o resultado da Seção 301 pode ser desfavorável, já que a decisão é unilateral e os EUA costumam buscar sempre vantagens em negociações. Outros temas, como minerais críticos, foram discutidos, porém ficaram em segundo plano.

Sobre os minerais críticos, não foram assinados acordos até o momento. Em entrevista, Lula destacou que o Brasil está aberto para negociar com todos países e manterá sua soberania.

“Queremos compartilhar nosso potencial com quem quiser investir no Brasil, sem preferência”, afirmou Lula. “Estamos abertos para empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas e francesas.”

No que diz respeito às grandes empresas de tecnologia, a discussão focou no comércio eletrônico na Organização Mundial do Comércio (OMC). Houve um impasse nas negociações sobre a prorrogação da moratória que isenta tarifas para downloads digitais.

O principal conflito está nos serviços digitais, como streaming e downloads, e nas tarifas aplicadas de forma unilateral. O Brasil, assim como a Turquia, vetou a renovação da moratória para manter a autonomia de tributar esses serviços, enquanto os EUA pressionam por isenção contínua.

Na reunião, o Brasil explicou que não é contra a moratória, mas quer um prazo de dois anos, enquanto os EUA desejam prazos longos ou indefinidos.

Este ano terá eleições no Brasil e nos EUA. Em novembro, os EUA terão as eleições legislativas, que podem levar os democratas a retomar o controle do Congresso. O governo brasileiro acredita que o cenário mundial dificilmente mudará entre 2026 e 2030, com a extrema direita ainda forte.

Houve uma mudança nos protocolos do encontro, já que a reunião no Salão Oval foi cancelada a pedido de Lula antes do encontro começar.

Apesar de organizada às pressas, a reunião é fruto do trabalho contínuo e do contato entre brasileiros e americanos nos últimos meses. O convite para o encontro veio do governo Trump.

Veja Também