A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conseguiu uma patente nos Estados Unidos para um novo tratamento contra a malária usando um composto chamado DAQ, que é eficaz contra tipos resistentes do parasita causador da doença. Esta patente foi concedida pelo United States Patent and Trademark Office (USPTO) em março de 2024 e será válida até 2041. Os inventores desta inovação são pesquisadores do Instituto René Rachou, uma unidade da Fiocruz localizada em Minas Gerais.
O composto DAQ mostrou-se capaz de combater o Plasmodium falciparum, que é o parasita que causa os casos mais graves de malária, além do Plasmodium vivax, mais comum no Brasil. Os estudos indicam que o DAQ age contra os mecanismos de resistência do parasita por meio de uma ligação tripla em sua estrutura química, de forma semelhante à cloroquina. Ele interfere na digestão da hemoglobina do ser humano pelo parasita, bloqueando a neutralização de substâncias tóxicas e provocando a morte do microrganismo.
A atividade do DAQ contra a malária foi inicialmente descoberta na década de 1960, mas foi retomada recentemente pelo grupo liderado pela pesquisadora Antoniana Krettli, que aplicou técnicas modernas de química e biologia molecular para renovar os estudos. Os testes mostraram que o DAQ atua rapidamente nas fases iniciais da infecção, sendo eficaz tanto nas cepas sensíveis quanto nas resistentes.
Além disso, o DAQ pode ser produzido a baixo custo, característica importante para países com menor renda, onde a malária é um problema constante. As pesquisas foram realizadas em colaboração com instituições como a University of California San Francisco (UCSF), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Embora os resultados sejam animadores, ainda é necessário avançar em etapas como testes de toxicidade, definição de doses seguras e desenvolvimento de formulação adequada para o medicamento. A Fiocruz, com sua experiência em diagnóstico e testes clínicos na região amazônica, poderá ajudar a acelerar esses processos através de parcerias estratégicas.
Os pesquisadores destacam a importância de buscar novas opções de tratamento, pois o parasita que causa a malária continua se adaptando e tornando os medicamentos atuais menos eficazes, o que pode resultar em falta de tratamentos eficientes no futuro.
