ISABELLA MENON
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)
Após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (7) a proposta de formar um grupo de trabalho entre Brasil e EUA. O objetivo é resolver questões sobre tarifas e a investigação comercial iniciada pelos americanos em 2025.
A ideia é que ambos os países trabalhem juntos para encontrar um acordo sobre a política tarifária.
Apesar do encontro ter momentos positivos e descontraídos, houve tensões claras. Lula destacou que as diferenças entre os governos ficaram evidentes.
“Existem opiniões diferentes entre nós que ficaram claras na reunião. O ministro deles disse uma coisa, os nossos ministros disseram outra”, explicou.
Fontes do governo brasileiro afirmam que Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, foi quem mostrou maior resistência em assuntos ligados ao Brasil.
Ele lidera a investigação iniciada sob a Seção 301 no ano passado, que envolve o Pix, o comércio na rua 25 de Março, em São Paulo, e o etanol.
Esta regra dos EUA, de 1974, permite que o governo americano tome medidas tarifárias ou outras contra países que adotem práticas injustas contra o comércio dos EUA. China e União Europeia já foram alvo disso.
Um dos principais pontos de discordância são os impostos que o Brasil cobra sobre produtos americanos. Lula ressaltou o desequilíbrio na balança comercial, lembrando que o Brasil compra mais dos EUA do que vende para eles.
“O Brasil teve um déficit de US$ 14 bilhões com os Estados Unidos. Portanto, eles sempre acham que cobramos muitos impostos. A média dos nossos impostos é 2,7%”, disse Lula, respondendo às críticas de Donald Trump sobre as tarifas e contestando a ideia de que o Brasil se beneficia nessa relação comercial.
Os americanos também afirmaram que alguns produtos brasileiros são taxados em até 12%. Diante dessas divergências, Lula sugeriu o grupo de trabalho.
“Eu disse: vamos criar um grupo de trabalho para que os representantes do comércio dos dois países apresentem uma proposta em até 30 dias para decidirmos isso”, contou.
“Quem estiver errado vai ceder. Se for o Brasil, vamos ceder. Se for os EUA, eles terão que ceder”, completou.
Este ano, o Brasil passou a fazer parte de uma nova investigação que analisa o uso suposto de trabalho forçado em 60 países.
Esta investigação começou depois que a Suprema Corte dos EUA impediu Trump de usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional para impor tarifas, o que é visto como uma tentativa do governo americano de manter as cobranças.
No ano passado, as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros chegaram a 50%. Parte destas tarifas foi retirada após o primeiro encontro entre Lula e Trump, quando eles se cumprimentaram durante a Assembleia Geral da ONU.
