Kaliana da Cunha Barbosa, Rogério Filgueira da Silva, Luís Antônio Rodrigues Napoleão e Gilberto Militão dos Santos foram presos na sexta-feira (8/5) durante a operação Vitruvio, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal. O grupo familiar é acusado de integrar um esquema de fraudes em contratações irregulares de consórcios em uma rede bancária.
A quadrilha tinha forte ligação familiar. Kaliana, apontada como principal articuladora do esquema, é ex-mulher de Rogério, cunhada de Luís e esposa atual de Gilberto Militão dos Santos, detido em flagrante por posse irregular de arma. A irmã de Kaliana, Tamires da Cunha Barbosa, também foi indiciada.
Segundo a polícia, a relação familiar foi fundamental para manter a confiança interna e uma divisão organizada das tarefas no grupo criminoso.
O grupo utilizava terceiros, conhecidos como “laranjas”, para contratar cartas de consórcio com documentos falsificados que não representavam a real situação financeira dos contratantes. A organização criava perfis financeiros falsos para obter crédito e desviar bens, bloqueando mais de 11 milhões de reais.
Os investigadores apuraram que Kaliana recebeu 27 procurações relacionadas a contratos com dívidas superiores a 5,8 milhões de reais. Rogério está ligado a 25 procurações com aproximadamente 1,8 milhão em débitos, e Luís Antônio figura em 34 procurações envolvendo cerca de 2,1 milhões.
Recrutamento e ocultação
A organização agia há mais de cinco anos manipulando identidades financeiras de vítimas, recrutando pessoas de baixa renda e fornecendo documentos falsificados para abertura de contas e contratação de consórcios. As contas em nome dos “laranjas” eram usadas para empréstimos, cujos valores ofereciam lances em consórcios vinculados a outros “laranjas”, criando um ciclo contínuo de fraude e lucro.
Após obter as cartas de crédito, os criminosos compravam veículos para revenda rápida com desconto, enquanto deixavam de pagar as parcelas dos financiamentos. As dívidas permaneciam em nome das vítimas, e os reais beneficiários do esquema ficavam ocultos.
Bloqueio e apreensões
Foram apreendidos veículos usados no esquema, que ficarão à disposição da Justiça para possível venda e ressarcimento às vítimas. Mandados de busca e apreensão ocorreram em várias cidades do Distrito Federal e entorno, como Ceilândia, Taguatinga, Guará, Vicente Pires e Águas Lindas de Goiás.
Também foram apreendidas armas de fogo usadas pelos envolvidos. A Justiça bloqueou mais de 11 milhões de reais em contas ligadas ao grupo, abrangendo dezenas de contas bancárias utilizadas na fraude.
Operação Vitruvio
O nome da operação faz referência ao desenho “Homem Vitruviano”, de Leonardo da Vinci, simbolizando a estratégia da quadrilha de transformar pessoas vulneráveis em clientes ideais para aprovação de crédito.
A ação contou com apoio do Departamento de Operações Especiais e do Departamento de Trânsito do Distrito Federal. Os investigados responderão por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas podem ultrapassar 20 anos de prisão, dependendo da participação individual.
