No Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado em 31 de maio, especialistas em saúde alertam para o aumento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos no Brasil. Com visual moderno, sabores doces e grande divulgação nas redes sociais, os vapes têm atraído uma nova geração e gerado preocupação com o retorno do tabagismo no país.
A data, criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), chama atenção para um dos principais fatores de morte evitáveis no mundo. O tabaco é responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano, incluindo cerca de 1,3 milhão devido ao fumo passivo.
Depois de anos de queda no número de fumantes, o Brasil enfrenta um retrocesso. Dados da pesquisa Vigitel mostram que, após estabilidade, o percentual de adultos que fumam voltou a crescer em 2024. Hoje, 11,6% dos adultos brasileiros fumam cigarro tradicional, contra 9,3% em 2023, um aumento de cerca de 25%.
O problema é maior entre adolescentes, onde o uso de cigarros eletrônicos subiu de 16,8% para 29,6% nos últimos anos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024).
Uso dos vapes preocupa especialistas
Apesar da venda de cigarros eletrônicos ser proibida no Brasil desde 2009, o consumo ilegal desses aparelhos cresce. Em 2024, a Anvisa reafirmou a proibição, ampliando restrições à fabricação, distribuição, transporte e propaganda.
A médica oncologista Gabrielle Scattolin, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), destaca que o aumento do uso desses dispositivos é um desafio para a saúde pública.
“Vemos o uso banalizado, principalmente entre jovens que nunca fumaram o cigarro tradicional. Há uma falsa ideia de que são seguros, o que não é verdade”, afirma.
Os cigarros eletrônicos contêm nicotina em alta concentração, além de metais pesados e compostos tóxicos e cancerígenos.
“O vapor pode causar inflamações nos pulmões, lesões respiratórias e dependência. Mesmo quem acha que está fazendo uma escolha mais segura, os danos são reais e comprovados por estudos científicos”, explica.
Câncer de pulmão continua entre os mais graves
O tabagismo está diretamente ligado ao câncer. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) de 2026 indicam que o câncer de pulmão é dos mais comuns e perigosos no Brasil, com cerca de 32 mil novos casos previstos para 2026 a 2028.
Gabrielle Scattolin alerta que a fumaça do cigarro tem milhares de substâncias nocivas que danificam os pulmões e que não há nível seguro de consumo, mesmo para quem fuma pouco.
Além do pulmão, o tabaco pode causar câncer na boca, laringe, esôfago, pâncreas, rim e bexiga.
“Parar de fumar traz vantagens em qualquer idade. O corpo se recupera, reduzindo riscos de câncer, doenças do coração e problemas respiratórios. Informação e conscientização são as melhores armas para combater o tabagismo”, finaliza a especialista.

