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sábado, 30/05/2026

Banco Central perde mais de um terço dos funcionários com aumento dos ativos

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Em Brasília

MAELI PRADO E ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS

O Banco Central (BC) teve uma redução de mais de 35% no número de funcionários nos últimos 20 anos, enquanto os ativos que ele supervisiona cresceram mais de três vezes nesse período, causando preocupação para especialistas e instituições financeiras.

Há duas décadas, o órgão responsável pelas políticas monetárias, cambiais e pela supervisão do sistema financeiro contava com 5.072 colaboradores, número que caiu para 3.300 atualmente devido à falta de concursos públicos e restrições orçamentárias. A equipe de fiscalização teve uma diminuição ainda maior, caindo de 1.384 para 605 servidores.

Durante esse tempo, o volume total de ativos sob supervisão do BC aumentou de R$ 5,68 trilhões para R$ 17,89 trilhões, conforme dados corrigidos pela inflação da plataforma IF.Data, vinculada ao próprio BC.

“É preocupante ver o Banco Central enfrentando falta de orçamento, perda de funcionários experientes e não realizando reposições”, afirma Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e ex-diretor do BC.

O número de instituições financeiras diminuiu de 2.447 em 2006 para 1.794 em 2026, principalmente devido à consolidação de cooperativas. Contudo, desde 2019, 355 novas fintechs foram autorizadas a operar, incluindo sociedades de crédito direto, empréstimos entre pessoas e instituições de pagamento.

Este contraste entre menos pessoal e mais responsabilidades crescentes tem sido um dos principais argumentos do BC e do presidente Gabriel Galípolo para justificar a proposta de autonomia administrativa e financeira da instituição, em discussão no Senado.

A PEC permitiria que o Banco Central mantivesse receitas atualmente destinadas ao Tesouro, mas enfrenta oposição de partidos políticos e membros do governo.

O BC argumenta que está com orçamento apertado e dificuldades para contratar funcionários, justamente quando seu trabalho é mais importante, evidenciado pelo papel na fiscalização recente de instituições financeiras.

Por outro lado, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva temem que a proposta conceda autonomia excessiva ao BC, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negocia ajustes para preservar o controle governamental sobre contratações e salários.

Especialistas como o professor Rafael Schiozer, da FGV, sugerem cautela e um modelo equilibrado para o financiamento do BC, que permita estabilidade mesmo em eventuais quedas de receita.

Independentemente da aprovação da PEC, o BC precisaria aumentar seu quadro em 20% a 30% para lidar com a complexidade crescente da supervisão do sistema financeiro, dizem especialistas.

A redução de funcionários indica orçamento limitado, e apesar da tecnologia ajudar, há um limite para a eficiência sem a devida equipe.

Alexandre Chaia, economista do Insper, alerta que o aumento no número de fintechs junto ao corte de gastos governamentais pode criar lacunas na fiscalização.

Além da restrição na entrada de novos servidores, o BC enfrenta o envelhecimento do seu quadro, com centenas de funcionários já aptos a se aposentar nos próximos anos.

Isaac Sidney destaca que um orçamento maior é fundamental para investimentos em tecnologia, essenciais para combater fraudes e lavagem de dinheiro. “Um BC sem orçamento adequado é como um piloto sem instrumentos de navegação”, compara.

Associações do setor financeiro, incluindo a Zetta, que representa fintechs como Nubank e Mercado Pago, e a Anbima, apoiam a independência financeira do BC, ressaltando sua importância para a estabilidade e inovação do sistema financeiro brasileiro.

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