Mais de 200 pessoas já morreram em ações militares realizadas pelos Estados Unidos no Oceano Pacífico desde setembro do ano passado, quando as operações começaram.
Nesta sexta-feira, 29 de maio, o exército americano informou que três supostos narcotraficantes foram mortos em uma das operações realizadas pela Força-Tarefa Conjunta Lança do Sul. O governo dos EUA afirma que a inteligência confirmou que a embarcação estava transitando por rotas conhecidas por tráfico de drogas, embora não tenha apresentado provas.
Os ataques são direcionados a grupos considerados Organizações Terroristas Designadas, classificação dada recentemente a facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Esta mesma classificação inclui 19 organizações da América Latina, entre elas cartéis do México, Colômbia e Venezuela.
Representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) alertaram que as ações militares dos EUA podem configurar crimes internacionais. Especialistas destacam que esses ataques parecem violar o direito internacional e os direitos humanos, pois não ocorreram em legítima defesa nem em contexto de conflito armado.
O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que os ataques não têm respaldo na legislação internacional. Segundo ele, nenhuma das pessoas a bordo das embarcações parecia representar uma ameaça iminente que justificasse o uso de força letal.
PCC e CV nos Estados Unidos
Na mesma data, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Amanda Roberson, afirmou que o FBI e outras agências governamentais monitoram as atividades do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital em 12 estados norte-americanos, sem revelar quais.
Embora estes grupos estejam sob vigilância, o principal destino das drogas provenientes do Brasil não são os Estados Unidos, mas sim a Europa. Dados da Comissão de Portos e Aeroportos da Câmara Criminal do Ministério Público Federal indicam que, em 2024, os voos interceptados com drogas tinham como destinos principais França, Portugal e Catar. A droga mais apreendida foi cocaína, seguida de anfetaminas com destino ao Brasil.
Conforme dados da Polícia Federal, em 2023 foram apreendidos quase 4 toneladas de entorpecentes no Brasil, com quase metade relacionada à cocaína, destinada principalmente à Europa. O restante diz respeito a derivados de THC, como haxixe e skunk, que tinham a América do Norte e Ásia como origem e o Brasil como destino final.

