A União Europeia tomou a decisão de tirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar certos produtos de origem animal, o que pode colocar em risco quase US$ 2 bilhões em vendas anuais do agronegócio brasileiro.
Segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil exportou cerca de 368,1 mil toneladas de carnes para a União Europeia em 2025, gerando US$ 1,8 bilhão. Caso a restrição entre em vigor sem mudanças até setembro, o mercado poderá ser fechado para vários produtos brasileiros.
Motivos da decisão
- De acordo com a Comissão Europeia, o veto não está ligado diretamente ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, mas sim ao cumprimento das regras sanitárias do bloco.
- A legislação europeia proíbe a importação de produtos animais provenientes de sistemas que utilizam certos antimicrobianos para estimular o crescimento ou aumentar a produtividade dos animais.
- Bruxelas afirma que o uso incorreto desses medicamentos contribui para a resistência bacteriana, que é uma ameaça global à saúde pública.
- Conforme o regulamento da Comissão Europeia, o Brasil não forneceu informações suficientes para provar que poderá cumprir todas as exigências até setembro de 2026.
- Por isso, o país foi excluído da lista que autoriza exportação de produtos de bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas para os 27 países do bloco.
Possibilidade de reversão
As restrições ainda não começaram a valer. O novo regulamento só passa a valer em 3 de setembro de 2026, e até lá as exportações do Brasil continuam normalmente.
O governo brasileiro e o setor produtivo esperam usar os próximos meses para apresentar mais informações e tentar reverter a decisão antes que o veto comece a valer.

