PAULO RICARDO MARTINS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Devido ao aumento do preço do querosene de aviação (QAV), a Azul acionou um corte de cerca de 5% na sua capacidade de voo, conforme relatado pelo CEO da companhia aérea, John Rodgerson. Essa redução abrange todos os tipos de voos, sejam eles internacionais, nacionais, regionais ou em aeroportos importantes do país.
“Até agora, fizemos um corte aproximado de 5% da capacidade total. Para uma empresa do nosso porte, isso representa milhões de passageiros ao longo do ano. Esperamos que essa situação se resolva rapidamente”, explicou o executivo. “Essa redução está presente nos voos internacionais, regionais e também em grandes cidades. Por exemplo, a rota Curitiba-São Paulo tem menos frequências do que antes. O corte foi geral.”
A Azul está adotando duas estratégias principais para enfrentar essa situação: ajustar a malha aérea reduzindo rotas e diminuir a frequência dos voos.
“Nenhuma companhia aérea no mundo consegue repassar totalmente esse aumento de custos para os clientes. Isso vai tornar todos menos lucrativos ao longo deste ano devido à guerra”, disse Rodgerson. Ele acrescentou que a crise atual não levará a Azul a uma recuperação judicial, como ocorreu anteriormente. “Saímos do Chapter 11 em fevereiro com uma alavancagem muito menor comparado a outras empresas aéreas brasileiras. Estamos confortáveis com nossa posição, mesmo sabendo que podemos perder oportunidade de crescimento do mercado.”
Embora o impacto seja sentido em todas as áreas, o CEO acredita que a aviação regional poderá sofrer mais a longo prazo devido ao custo mais alto do combustível em áreas distantes.
Em um encontro com jornalistas, o vice-presidente da Iata para as Américas, Peter Cerdá, apontou que a demanda por voos domésticos no Brasil deve diminuir por causa da alta nos preços das passagens. Ele prevê que o número anual de passageiros em voos domésticos fique abaixo de 90 milhões, após um recorde de mais de 100 milhões em 2025.
Segundo Rodgerson, o governo está adotando uma postura mais ativa, destacando a linha de crédito prometida para as companhias aéreas. Em maio, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou que o Conselho Monetário Nacional aprovou uma resolução para financiamentos de até R$ 1 bilhão para companhias aéreas brasileiras, com condições específicas de prazo e taxa de juros administradas pelo Banco do Brasil e com risco garantido pela União.
O CEO também comentou que a empresa está em diálogo com o governo sobre a possível mudança na escala de trabalho 6×1 para os profissionais do setor aéreo. O foco está nos aeronautas, que incluem pilotos e comissários de bordo. Ele comentou que para os aeroviários – profissionais que trabalham em solo – a mudança provavelmente será aceita sem grandes impactos.
Rodgerson observa que, apesar das reuniões, os efeitos para aeronautas ainda precisam ser avaliados ao longo do tempo. Em maio, o CEO da Latam, Jerome Cadier, destacou que mudanças severas na escala de trabalho poderiam prejudicar operações internacionais, pois longos voos de mais de oito horas não seriam permitidos com a nova escala.
Sindicatos dos trabalhadores da aviação têm defendido a redução da jornada de trabalho. Para o diretor de Relações Internacionais do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Diego Barrionuevo, a escala 5×2 não prejudica as operações e as negociações com as empresas aéreas ainda apresentam dificuldades.

