EDUARDO AMARAL
FOLHAPRESS
O Ministério da Saúde (MS) apresentou, na última sexta-feira (26), um novo protocolo para o uso de canetas que ajudam na perda de peso pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A apresentação aconteceu no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, com a presença do ministro Alexandre Padilha.
Essa iniciativa faz parte do estudo Real-Bari, que acompanhará 250 pacientes do GHC que estão na fila para cirurgia bariátrica. O hospital, a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs) e a empresa Novo Nordisk, que fornecerá parte dos recursos, participam do projeto, que tem custo estimado em R$ 1,2 milhão.
Inicialmente, o protocolo será aplicado somente no GHC, mas há possibilidade de expandir para outros estados.
Um dos participantes escolhidos para o estudo é o motorista de aplicativo Guilherme Henrique Panichi, 39 anos, que conta que, desde criança, tem ganhado peso e já tentou acompanhamento com nutricionista, sem resultados duradouros. Nos últimos anos, desenvolveu diabetes e pressão alta, que hoje estão controladas com medicamentos.
“Sempre busquei perder peso, mas nunca com efeito prolongado. Com as canetas, espero mudar meus hábitos e adotar um estilo de vida mais saudável”, relata Guilherme.
A médica do Serviço de Endocrinologia do GHC, Kátia Elisabete Pires Souto, destaca a importância de oferecer o medicamento para toda a população, já que a obesidade é um problema crescente no Brasil.
O protocolo terá duração de dois anos no GHC, podendo ser estendido. Foi desenvolvido em conjunto pelo MS, GHC, Faurgs e Novo Nordisk. O coordenador do Núcleo de Avaliação de Tecnologia em Saúde do GHC, Fernando Anschau, explica que o estudo acompanhará como os pacientes usam a medicação e lidam com ela no dia a dia.
O ministro Padilha destacou a expectativa de redução dos custos com tratamentos e cirurgias bariátricas graças ao uso das canetas. Ele acredita que o método pode diminuir a necessidade de cirurgias ou possibilitar a intervenção em pacientes que hoje não podem passar pelo procedimento.
O Rio Grande do Sul tem uma das maiores taxas de obesidade do país, com mais de 33% dos adultos entre 20 e 60 anos com sobrepeso, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde.
As canetas emagrecedoras fazem parte do uso da semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy. O protocolo visa oferecer uma alternativa para pacientes que aguardam cirurgia bariátrica, mas que não se enquadram nos critérios para cirurgia.
Dos pacientes na fila para cirurgia bariátrica no GHC, apenas 47% podem passar pelo procedimento. Os pacientes do estudo receberão 2,4 mg de semaglutida por semana durante dois anos para avaliarem perda de peso, qualidade de vida e condições para cirurgia.
Recentemente, a patente do Ozempic expirou, o que permitiu que a Anvisa avaliou pedidos para outros medicamentos com o mesmo princípio ativo. A EMS recebeu permissão para produzir o Ozivy, uma versão sintética do medicamento biológico original, e a farmacêutica Hypera Pharma aguarda registro para distribuir o Semavy.
Padilha defende a produção nacional dessas medicações para garantir o acesso da população. Ele ressalta que a sustentabilidade do fornecimento depende da fabricação local.
SEM MILAGRE
O ministro também alertou sobre o uso indiscriminado e contrabando dessas canetas, que são vistas por muitos como uma solução milagrosa para emagrecimento. Ele lembra que o medicamento foi desenvolvido inicialmente para tratar diabetes e que seu uso no combate à obesidade é uma novidade que está sendo estudada.
Padilha reforça que a produção nacional permitirá um controle melhor da aplicação do medicamento.
