A busca por diversificar investimentos e reduzir riscos está impulsionando um aumento global na união de empresas de mineração, algo que não se via há muito tempo. Esse movimento está ligado à procura por minerais essenciais para a transição para energias limpas, envolvendo interesses econômicos e políticos.
O interesse em fusões e aquisições cresceu porque os Estados Unidos e a Europa querem diminuir sua dependência da China, que domina o processamento de minerais raros usados em carros elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos avançados. Para esses países, minerais críticos tornaram-se uma questão de segurança nacional.
O Brasil, que possui reservas importantes desses minerais, passou a ser visto de perto por investidores e grandes companhias, especialmente com as tensões comerciais entre Washington e Pequim.
Embora existam poucos dados recentes sobre essas transações no Brasil, um estudo mostrou que o número de operações no setor mineral brasileiro subiu 56% no primeiro semestre de 2025, período em que as disputas entre EUA e China se intensificaram.
Recentemente, houve anúncios que mostram que o interesse por projetos no Brasil continua. Em abril, a empresa americana USA Rare Earth comprou a brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões.
A Serra Verde possui uma mina e uma planta para processar minerais raros em Goiás, sendo a única fora da Ásia capaz de produzir comercialmente quatro elementos magnéticos importantes: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
No início do ano, a empresa anglo-australiana Rio Tinto adquiriu a Arcadium Lithium por US$ 6,7 bilhões e retomou negociações para se unir à anglo-suíça Glencore, que possui diversos minérios. Essa fusão poderia criar uma empresa avaliada em cerca de US$ 260 bilhões, mas as negociações esfriaram em fevereiro e podem continuar futuramente.
“As empresas estão buscando melhorar seus negócios, diminuir riscos e crescer em produtos importantes como cobre e alumínio”, explica o consultor Tito Martins, ex-CEO da Nexa e ex-diretor executivo da Vale.
Foco em projetos já em operação
As grandes empresas preferem comprar projetos que já funcionam, pois obter licenças ambientais e sociais está cada vez mais difícil, em parte devido a acidentes anteriores em áreas de mineração. Segundo Tito Martins, o que falta não é dinheiro, mas aprovação para operar com segurança.
Enquanto algumas empresas buscam oportunidades, outras aproveitam para vender porque veem boas chances de negócio.
No radar dos investidores estrangeiros está a Terra Brasil Minerals, que procura parceiros para um projeto de US$ 1 bilhão em minerais raros e fertilizantes em Minas Gerais.
A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, vendeu 68,59% das suas ações para uma joint venture formada pela chinesa Aluminum Corporation of China Limited (Chalco) e a Rio Tinto, num negócio de R$ 4,689 bilhões.
Apesar do interesse, há desafios importantes, como a falta de uma cadeia industrial completa fora da China, que domina cerca de 90% do processamento global desses minerais. Isso dificulta que os países produtores capturem mais valor.
Além disso, os custos para construir fábricas de refino são altos e os preços desses minerais são voláteis. Questões regulatórias e políticas também impactam o mercado. Nesse cenário, Tito Martins prevê menos fusões, mas com valores maiores.

