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domingo, 10/05/2026

Varejistas adotam escala 5×2 e enfrentam desafios financeiros e organizacionais

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Felipe Mendes e Sylvia Miguel
Folhapress

Grandes e médios varejistas brasileiros estão experimentando o modelo de trabalho 5×2, que consiste em cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de descanso. Essa nova escala tem trazido benefícios, como maior interesse dos candidatos a vagas e a diminuição da rotatividade de funcionários, mas também apresenta desafios.

Empresas como Supermercados Pague Menos, RD Saúde (Droga Raia e Drogasil) e Savegnago relataram que, com essa escala, os custos com benefícios como vale-transporte e alimentação reduziram, além da queda nas ausências e acidentes durante o trajeto ao trabalho.

Por outro lado, desafios na gestão de folgas, possíveis aumentos nos custos e diminuição das gorjetas, causada pelo aumento do número de funcionários nas equipes, foram apontados.

Essas experiências acontecem enquanto o Congresso debate a possibilidade de encerrar a escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho e um de descanso, e discute também a redução da jornada de trabalho.

Maurício Bendixen, superintendente da Apras (Associação Paranaense de Supermercados), destaca que a escassez de mão de obra é um problema grave no varejo, e que o modelo 5×2 torna as vagas mais atrativas devido à maior flexibilidade de horários, algo valorizado após a pandemia de Covid-19.

Ele comenta que, nos dias de folga, os trabalhadores podem optar por atividades como freelances, lazer, descanso ou estudos, valorizando mais seu tempo livre e buscando melhor qualidade de vida.

Um estudo da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) divulgado em fevereiro revelou que a redução da jornada semanal para 40 horas impactaria mais de 90% dos trabalhadores do comércio e serviços, e demandaria a criação de quase um milhão de novas vagas para compensar a carga horária menor.

A CNC informou que a mudança resultaria em efeito financeiro combinado de R$ 357,5 bilhões para o comércio e serviços.

Para pequenos negócios, o modelo 5×2 pode aumentar a folha de pagamento, pois a falta de colaboradores pode exigir a contratação de trabalhadores horistas, conforme aponta Bendixen.

No modelo 5×2, a jornada diária de trabalho aumenta para cerca de 8 horas e 48 minutos, distribuídas para manter o limite legal de 44 horas semanais previsto na Constituição Federal, embora as propostas em discussão no Congresso visem reduzir essas horas.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou em 22 de abril um relatório favorável à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que propõe o fim da escala 6×1, que agora seguirá para análise de mérito.

Duas PECs, dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), propõem reduzir a jornada semanal das atuais 44 horas para 36 horas. A proposta de Erika Hilton também inclui uma escala de quatro dias de trabalho por três dias de folga.

O governo defende o limite de 40 horas semanais sem fixar um regime de escala, deixando essa decisão para negociação entre categorias e empresas.

O fim da escala 6×1 é uma importante pauta do governo Lula para as eleições, e uma pesquisa do Datafolha mostrou que 71% dos brasileiros apoiam essa mudança.

João Galassi, presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), afirmou que a implementação da escala 5×2 pode prejudicar supermercados pequenos, e defende a PEC 40/2025, que propõe um regime flexível baseado em horas trabalhadas, como alternativa.

Galassi quer além do modelo mensalista atual, a opção pelo trabalho horista, e se posiciona contrário à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.

Erlon Ortega, presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), aponta que o modelo 5×2 atende tanto jovens que buscam flexibilidade quanto trabalhadores com mais de 50 anos que desejam jornadas mais curtas.

Redes paulistas que já adotam a escala 5×2 mantêm as 44 horas semanais, e relatam bons resultados, oferecendo dois dias de folga por semana sem aumento nos custos operacionais.

Glauco Humai, presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), alerta que a nova escala pode dificultar a operação dos pequenos lojistas, que formam a maioria dos estabelecimentos.

Ele diz que quase 60% desses lojistas possuem de três a cinco funcionários, e mudar a escala pode exigir a contratação de um ou dois trabalhadores adicionais, o que, devido aos encargos trabalhistas atuais, pode aumentar os custos em 30% a 40%, ameaçando a viabilidade do negócio.

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