Em 2025, o valor médio do dinheiro que cada pessoa recebe mensalmente no Brasil subiu para R$ 2.264, o maior já registrado, com um aumento de 6,9% em comparação ao ano anterior. Embora todas as faixas de renda tenham melhorado, a diferença entre os mais ricos e os mais pobres voltou a crescer, após atingir o nível mais baixo em 2024. Isso ocorreu porque, com o mercado de trabalho ativo e os juros elevados, quem tem mais dinheiro ganhou mais com investimentos financeiros.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa, destaca que o grupo com renda mais alta viu seu rendimento crescer mais rápido que a média da população, mesmo com aumento para todos. Não houve queda da renda em nenhum grupo, mas o topo teve crescimento maior.
Os 10% mais pobres do país tiveram um aumento de 3,1% na renda média mensal per capita, já considerando a inflação. Porém, essa parcela da população vive com apenas R$ 268 por mês, o que equivale a R$ 8,93 por dia em 2025.
Por outro lado, os 10% mais ricos tiveram aumento de 8,7% na renda média, chegando a receber por pessoa R$ 9.117 mensais. Entre o 1% mais rico, essa média foi ainda maior, com R$ 24.973, um crescimento de 9,9% em relação a 2024.
Fontes lembra que os mais pobres dependem de benefícios sociais que pouco mudaram em 2025. Já os mais ricos se beneficiaram do mercado de trabalho aquecido, juros altos que valorizam investimentos financeiros e de rendas extras como aluguéis, que também aumentaram.
Ele explica que parte desse grupo ganha dinheiro com aluguéis e investimentos em imóveis, que se valorizaram. Além disso, juros maiores e bons resultados em aplicações financeiras ajudaram a aumentar a renda dos mais ricos.
O pesquisador ressalta que, olhando para um período maior, antes da pandemia, o crescimento da renda foi maior entre os mais pobres, mesmo que em 2025 a diferença tenha aumentado.
Estadão Conteúdo
