Mesmo diante de juros altos e do aumento do endividamento, a população mantém a intenção de presentear no Dia das Mães, registrando o índice de intenção de compras mais alto desde 2014, com 85,7%. Essa porcentagem representa uma alta em comparação a 2023, quando foi de 84,3%.
De acordo com levantamentos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a distribuição da intenção de compra é a seguinte: 10,1% planejam gastar mais, 65,6% pretendem manter o mesmo valor de gastos e 24,3% desejam reduzir as despesas.
“A quinta alta consecutiva do indicador de intenção de compras no Dia das Mães reflete a manutenção do emprego, da renda e do controle da inflação, o que permite um espaço no orçamento para as compras da data, mesmo com alto endividamento das famílias brasileiras no momento”, avalia a pesquisadora e economista do FGV Ibre, Anna Carolina Gouveia.
Os itens mais procurados para presentes são vestuário, perfumaria e cosméticos (20,6%), calçados (4,0%), flores (5,1%), artigos para casa (3,7%), eletrônicos (1,4%), livros (3,6%), gastronomia (11,7%), lazer (2,3%), dinheiro (4,3%) e outros (28,7%). A categoria gastronomia inclui opções como almoço, jantar, lanche e cesta de café da manhã, enquanto lazer compreende passeios, viagens, cinema, teatro, shows e spas.
Projeção de vendas
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima que as vendas relacionadas ao Dia das Mães devem alcançar R$ 14,47 bilhões em 2024, 1,5% a mais do que no ano anterior. A data é considerada pelo comércio como o Natal do primeiro semestre, sendo a segunda mais importante para o varejo durante o ano.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, mantém um otimismo cauteloso para o faturamento do restante do ano. Ele destaca que, apesar do avanço registrado em comparação a 2023 e da previsão de contratação de mais de 25 mil trabalhadores temporários, é necessário observar o ritmo de crescimento do varejo nos próximos meses.
“Os aumentos nos preços dos combustíveis e as revisões nas projeções para a taxa Selic podem trazer cautela para todos os setores da economia”, analisa Tadros.
