A Ypê conseguiu suspender temporariamente a proibição imposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre alguns lotes de seus produtos. No entanto, a Anvisa continua aconselhando que esses produtos não sejam utilizados pelos consumidores.
Na última sexta-feira, a Ypê informou que entrou com um recurso junto à Anvisa, apresentando informações técnicas para contestar a decisão que proibia a fabricação e venda de produtos como lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes. Com esse recurso, a suspensão da proibição ficará válida até que a Anvisa analise o caso novamente.
A empresa ressaltou que seguirá conversando com a Anvisa e outras autoridades, sempre com base em dados científicos e técnicos, para resolver o problema o mais rápido possível.
A Anvisa também divulgou uma nota confirmando a suspensão temporária da proibição, enquanto espera a decisão final do seu colegiado nos próximos dias. Mesmo assim, reforça que a análise de risco relacionada à produção dos itens na fábrica da Ypê em Amparo (SP) continua.
Por questão de segurança, a Anvisa recomenda que os consumidores evitem o uso dos produtos mencionados. A empresa é responsável por informar os clientes sobre como proceder, seja para troca, devolução, ressarcimento ou outras medidas apropriadas.
Contexto da decisão
Na quinta-feira passada, a Anvisa ordenou a retirada de várias linhas de produtos da Ypê após identificar falhas graves em processos essenciais de fabricação e controle de qualidade. Essas falhas podem provocar contaminação por microrganismos prejudiciais, o que compromete a segurança dos produtos.
A Anvisa não divulgou qual agente patogênico foi detectado, e a Ypê, junto ao órgão de vigilância sanitária do estado de São Paulo, também não liberaram essa informação.
Essa situação gerou incertezas entre os consumidores. Para esclarecer, o veículo Pulsa consultou o Procon-SP e a professora Cristiane Rodrigues Guzzo, do Departamento de Microbiologia da Universidade de São Paulo (USP).
Cristiane Guzzo explicou que a presença de microrganismos indesejados em produtos de limpeza pode prejudicar sua função, além de contaminar superfícies, utensílios e objetos lavados, o que é preocupante.
O Procon-SP recomendou que a Ypê oriente os consumidores sobre como obter reembolso ou trocar os produtos, conforme estabelecido pelo Código de Defesa do Consumidor.
Histórico do caso
No ano passado, a Ypê já enfrentou uma situação parecida devido à contaminação microbiológica detectada em alguns produtos. Naquela ocasião, a bactéria responsável foi a Pseudomonas aeruginosa. Agora, o organismo envolvido não foi divulgado.
Cristiane Guzzo comentou que a Pseudomonas aeruginosa é uma das poucas bactérias capazes de sobreviver e se multiplicar em detergentes e produtos de limpeza, resistindo a agentes químicos e formando biofilmes resistentes, dificultando sua eliminação e favorecendo sua proliferação.
O risco maior de contaminação ocorre para pessoas com feridas na pele ou com deficiências no sistema imunológico, pois esses microrganismos podem se proliferar mais facilmente nelas, causando problemas respiratórios ou infecções, como as de ouvido.
