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domingo, 10/05/2026

Criptomoeda grande cobra R$ 1,6 bi do Master na Justiça

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PEDRO S. TEIXEIRA
FOLHAPRESS

A maior empresa de moedas digitais do mundo, a Tether, está processando o Banco Master em São Paulo para receber um empréstimo de US$ 300 milhões feito a uma empresa ligada ao banco em março do ano passado.

A Tether, famosa por criar uma versão digital do dólar chamada USDT, está cobrando do Master R$ 1,64 bilhão (US$ 327,4 milhões), com juros anuais e multas que chegam a 13,87%. A dívida venceria em março deste ano, mas o prazo foi antecipado por regras do contrato quando a nota de crédito do banco caiu no ano passado.

A Tether quer que a Justiça bloqueie uma conta usada para pagamentos de empréstimos consignados a servidores públicos, que era garantia do empréstimo, e também localize outros bens do Master para pagar a dívida.

A defesa do presidente e dono do Master na época, Daniel Vorcaro, não quis comentar o caso. Já a Tether diz que o atraso no pagamento desde setembro não afeta suas moedas digitais, que são garantidas por ativos reais como dólar, euro e ouro.

Documentos mostram que o Master reconheceu a dívida em um tribunal arbitral em Londres. A Tether também afirma que não sabia das investigações policiais contra o banco, que só foram divulgadas em novembro.

A Tether quer ainda ser uma das primeiras a receber, apesar de existir uma ordem para que dívidas trabalhistas e impostos sejam pagos antes. Estima-se que o banco tenha dívidas de cerca de R$ 50 bilhões.

A empresa de moedas digitais, que fica em El Salvador, diz que o empréstimo foi feito a uma empresa fora do grupo do Master, chamada Titan Holding, criada por Vorcaro nas Ilhas Cayman e depois transferida para outros diretores do banco. O contrato envolvia bens no Brasil como garantia.

O Master garantiu o empréstimo com créditos de empréstimos consignados de servidores públicos, que eram pagos mensalmente em uma conta no banco.

A empresa Titan recebeu o empréstimo em duas partes: US$ 100 milhões em 28 de março de 2025 e US$ 200 milhões em 1º de abril do mesmo ano. Em agosto, a empresa parou de pagar as parcelas da dívida e nem o valor principal foi pago.

O empréstimo devia ser pago em um ano, com juros de 11,78% ao ano, vencendo em março. A Tether diz que uma cláusula permitiu antecipar o vencimento após uma agência de risco rebaixar a nota do Master, depois que foi barrada a compra do banco pelo BRB (Banco de Brasília).

O contrato também previa vencimento antecipado em caso de não pagamento ou problemas com o banco, como suspensão das atividades, perda da autorização do Banco Central, descumprimento das regras de capital ou liquidação. Todos esses problemas ocorreram desde que a Polícia Federal começou a investigar o Master em novembro.

Daniel Vorcaro assumiu o controle do banco, antes chamado Banco Máxima, em 2019. Sob sua gestão, o banco aumentou as operações vinculadas a criptomoedas.

A operação Colossus, da Polícia Federal, revelou que o antigo Banco Máxima enviou US$ 531 milhões de dezembro de 2018 a abril de 2021 para uma empresa suspeita de lavar dinheiro para o grupo criminoso PCC e o Hezbollah.

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