BRUNO LUCCA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Universidade de São Paulo (USP) comunicou que não foi avisada antes da intervenção policial na reitoria localizada na zona oeste de São Paulo. A operação foi feita pela Polícia Militar durante a madrugada deste domingo (10).
A decisão de agir partiu da Secretaria da Segurança Pública, liderada por Tarcísio de Freitas, do partido Republicanos.
A USP lamentou os acontecimentos, repudiou os atos violentos e ressaltou que o diálogo, a diversidade de opiniões e a convivência pacífica são essenciais para o progresso e resolução de conflitos.
A reitoria também retomou a possibilidade de diálogo com os estudantes, opção que havia sido descartada anteriormente.
Os estudantes, em nota, afirmaram que o reitor teria solicitado a polícia, que removeu os alunos de forma violenta enquanto eles reivindicavam melhores condições.
A Polícia Militar desocupou o saguão onde os estudantes estavam desde quinta-feira (7).
A operação começou por volta das 4h15 e durou cerca de 15 minutos. Segundo os estudantes, durante a ação foram usados artefatos sonoros, gás lacrimogêneo e cassetetes.
Quatro estudantes foram detidos e levados ao 7º Distrito Policial da Lapa, onde foi registrado um boletim por dano ao patrimônio público e desordem. Posteriormente, eles foram liberados.
A gestão de Tarcísio de Freitas informou que aproximadamente 150 pessoas ocupavam o local.
“Cerca de 50 policiais participaram da operação, que terminou sem feridos. Toda a ação foi filmada pelas câmeras portáteis dos policiais, e as imagens serão incluídas no processo”, declarou a SSP.
Após a desocupação, uma vistoria mostrou danos no patrimônio público, incluindo portão e portas quebradas, carteiras e mesas danificadas, e danos na catraca de entrada.
O planejamento da ação começou na sexta-feira (8), após a ocupação, e a decisão de agir no domingo, Dia das Mães, teria sido motivada pela menor presença de estudantes no local.
Vídeos e relatos dos estudantes mostram policiais formando um corredor na entrada da reitoria e agredindo os alunos que saíam do local.
Segundo os estudantes, pelo menos cinco ficaram feridos, incluindo um com fratura no braço.
Após a ação, a Polícia Militar continuou presente no prédio da universidade.
