A Câmara Municipal de Cavalcante (GO) iniciou investigações sobre a empresa Savana Agrobio Ltda., que tem seu endereço registrado em um imóvel no terreno do prefeito Vilmar Souza Costa, conhecido como Vilmar Kalunga (PSB). A denúncia veio à tona após reportagem do Metrópoles.
Na última sexta-feira (8/5), em sessão ordinária, os vereadores convocaram os secretários municipais de Agricultura e de Gestão para esclarecer os contratos firmados entre a prefeitura e a empresa. Os contratos somam quase R$ 937 mil, e a Savana Agrobio foi a única concorrente nos pregões públicos realizados.
Danilo Antônio Ferreira, secretário de gestão do município e responsável pela assinatura dos contratos, afirmou desconhecer que a empresa tinha endereço no terreno do prefeito. Ele confirmou a abertura de uma investigação interna após a reportagem.
O secretário também negou irregularidades quanto ao endereço da empresa, explicando que o lote possui três unidades distintas — a residência do prefeito, uma loja comercial e um consultório odontológico — e que a empresa ocupa somente a loja comercial, que fica direcionada para a Avenida Tiradentes. O imóvel está registrado em nome da avó do prefeito, mas o IPTU está em nome de Vilmar Souza Costa.
O representante legal da Savana, Francisco das Chagas do Nascimento, confirmou que a empresa aluga um imóvel pertencente ao prefeito.
Sociedade e relações políticas
O sócio da Savana é Henrique dos Santos Rosa, filho do vereador Salviano Santos (União), aliado do prefeito. Ele assinou o primeiro termo aditivo contratual como testemunha. Durante a sessão, o vereador estava presente, mas não se manifestou sobre o mérito do caso.
Os secretários justificaram o conhecimento pessoal dos sócios pela convivência em cidade pequena, onde as pessoas se conhecem.
Valores e prorrogações dos contratos
Os contratos firmados são dois: um de aproximadamente R$ 653 mil, para capacitação técnica e operação de unidades móveis de beneficiamento e assistência técnica rural; e outro de R$ 283.986,99, para aquisição de kits de microfábricas de bioinsumos e capacitação de famílias das comunidades Kalunga.
O secretário de Agricultura, João Filho Souza Costa, afirmou que a empresa recebeu apenas R$ 54.416,66 referentes ao contrato de assistência técnica, pois o serviço de kits de bioinsumos não foi realizado e não houve pagamento.
Em dezembro, a prefeitura prorrogou os contratos para vigência até 31 de dezembro de 2026, com testemunho de Henrique dos Santos Rosa.
Até o momento, o prefeito Vilmar Kalunga não se manifestou sobre os desdobramentos da investigação.
