Luciano Moreira segura com cuidado uma caixa contendo mosquitos modificados para combater a dengue, uma técnica eficaz mas que apresenta limitações para expansão no Brasil.
Para proteger o segredo do método, assessores de Moreira evitam fotos da biofábrica em Curitiba, que abriga o maior criadouro desses mosquitos no mundo.
Este renomado entomólogo de 59 anos chama assim os Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento do vírus da dengue.
Moreira, reconhecido internacionalmente, afirma que o Brasil está em um momento crucial para expandir essa técnica que libera esses mosquitos em áreas urbanas para substituir os transmissores naturais da dengue.
Embora já usada em 15 países, o método teve seu maior impacto no Brasil desde 2011, protegendo seis milhões de pessoas até agora.
Mas ainda há 207 milhões de brasileiros vulneráveis, e o país lidera os casos de dengue em 2024, com mais de seis mil mortes.
Produção em grande escala
A biofábrica inaugurada em 2025 produz até cem milhões de ovos infectados toda semana, que são enviados para municípios onde os mosquitos eclodem e são liberados.
Estudos em Niterói e Campo Grande mostraram reduções de 89% e 63% nos casos de dengue, respectivamente.
Desafios da expansão
O avanço é lento e afetado por fatores como mudanças climáticas, que ampliaram a dengue a regiões antes frias.
Apesar do reconhecimento governamental, a produção está limitada pela demanda oficial e problemas locais, como o uso de larvicidas que prejudicam os mosquitos modificados, além da violência em algumas áreas.
Para o futuro
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, reconhece desafios técnicos, operacionais e financeiros para levar o método a mais cidades, mas confirma sua implementação em 54 municípios até 2026.
Moreira destaca que o método é uma estratégia complementar à vacinação e que os mosquitos que utiliza vêm de pesquisas iniciadas na Austrália em 2008, que descobriram que a Wolbachia bloqueia a transmissão da dengue, zika e chikungunya.
Este avanço representa um importante passo no combate à dengue, mesmo que ainda não seja uma solução imediata para o Brasil.
