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terça-feira, 12/05/2026

Mosquito que combate a dengue: um progresso importante, mas não uma solução rápida no Brasil

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Em Brasília

Luciano Moreira segura com cuidado uma caixa contendo mosquitos modificados para combater a dengue, uma técnica eficaz mas que apresenta limitações para expansão no Brasil.

Para proteger o segredo do método, assessores de Moreira evitam fotos da biofábrica em Curitiba, que abriga o maior criadouro desses mosquitos no mundo.

Este renomado entomólogo de 59 anos chama assim os Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento do vírus da dengue.

Moreira, reconhecido internacionalmente, afirma que o Brasil está em um momento crucial para expandir essa técnica que libera esses mosquitos em áreas urbanas para substituir os transmissores naturais da dengue.

Embora já usada em 15 países, o método teve seu maior impacto no Brasil desde 2011, protegendo seis milhões de pessoas até agora.

Mas ainda há 207 milhões de brasileiros vulneráveis, e o país lidera os casos de dengue em 2024, com mais de seis mil mortes.

Produção em grande escala

A biofábrica inaugurada em 2025 produz até cem milhões de ovos infectados toda semana, que são enviados para municípios onde os mosquitos eclodem e são liberados.

Estudos em Niterói e Campo Grande mostraram reduções de 89% e 63% nos casos de dengue, respectivamente.

Desafios da expansão

O avanço é lento e afetado por fatores como mudanças climáticas, que ampliaram a dengue a regiões antes frias.

Apesar do reconhecimento governamental, a produção está limitada pela demanda oficial e problemas locais, como o uso de larvicidas que prejudicam os mosquitos modificados, além da violência em algumas áreas.

Para o futuro

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, reconhece desafios técnicos, operacionais e financeiros para levar o método a mais cidades, mas confirma sua implementação em 54 municípios até 2026.

Moreira destaca que o método é uma estratégia complementar à vacinação e que os mosquitos que utiliza vêm de pesquisas iniciadas na Austrália em 2008, que descobriram que a Wolbachia bloqueia a transmissão da dengue, zika e chikungunya.

Este avanço representa um importante passo no combate à dengue, mesmo que ainda não seja uma solução imediata para o Brasil.

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