O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acredita que as eleições no Brasil deste ano serão um desafio importante para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua tentativa de fortalecer sua influência na América Latina.
Em 2025, a administração de Trump apresentou uma nova Estratégia de Segurança Nacional que destacou a América Latina como uma prioridade. Esta estratégia resgata a Doutrina Monroe, uma antiga política externa dos EUA criada para evitar a influência europeia na região.
Atualizada em 1904 pelo presidente Theodore Roosevelt, a política passou a permitir intervenções diretas dos EUA na América Latina, incluindo ações militares. Agora, o chamado “Corolário Trump” busca conter a influência de países como Rússia e China na região.
Na última segunda-feira (1º/6), o Escritório do Representante Comercial dos EUA anunciou o fim de uma investigação e propôs taxar produtos brasileiros com uma tarifa de 25%. A investigação usou a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, afirmando que o Brasil adota práticas comerciais injustas, incluindo regras relacionadas ao pix, decisões judiciais contra grandes empresas de tecnologia e restrições ao mercado de etanol.
Outro parecer recomendou uma tarifa extra de 12,5% sobre produtos brasileiros, com base em acusações de uso de mão de obra forçada, juntando o Brasil a 59 outros países nesta situação. Essas tarifas ainda dependem de consultas públicas e da aprovação de Trump.
Em uma ação paralela, o governo dos EUA colocou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) em listas de organizações terroristas. Essa decisão visa bloquear o apoio financeiro e limitar as atividades dessas organizações, mas também levanta preocupações sobre interferência na soberania do Brasil sob a justificativa de combate ao terrorismo, como ocorreu recentemente na Venezuela.
Designação das facções
- A designação das facções como organizações terroristas permite aos EUA agir de forma global para rastrear e conter suas redes fora do Brasil.
- Isso inclui sanções financeiras rigorosas e punições para quem apoiar essas organizações.
- Líderes e membros têm restrições de mobilidade e podem ter seus vistos cancelados, sendo deportados se estiverem nos EUA.
Atuação regional de Trump
Trump tem investido fortemente na política da América Latina neste segundo mandato.
Em 2025, apoiou financeiramente a campanha de Javier Milei na Argentina, que saiu vitorioso nas eleições legislativas.
Também apoiou o candidato Nasry “Tito” Asfura em Honduras, que venceu uma eleição controversa no país.
Em 2026, os EUA invadiram Caracas, prendendo o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, acusados de narcoterrorismo. A presidência foi temporariamente assumida por Delcy Rodríguez, enquanto os EUA e a Venezuela retomaram o diálogo diplomático e comercial.
Cuba também está no foco de Trump. Além de aumentar sanções, ele mencionou a possibilidade de ocupar a ilha após o término da guerra no Irã. O governo cubano e pessoas ligadas, como Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel, enfrentam sanções rigorosas, acompanhadas por movimentações militares americanas no Caribe.

