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sábado, 06/06/2026

Governo Lula enfrenta dificuldades para negociar nova tarifa dos EUA

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IDIANA TOMAZELLI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem poucas chances de conseguir reduzir a segunda tarifa de 12,5% que os Estados Unidos planejam colocar sobre produtos brasileiros exportados para lá.

Essa tarifa foi anunciada depois que os americanos concluíram uma investigação sobre o uso de trabalho forçado em 59 países, incluindo a União Europeia.

Anteriormente, os EUA já tinham colocado uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, devido a uma investigação focada em práticas comerciais que consideram injustas. Nesta primeira tarifa, o governo brasileiro acha que ainda há margem para negociações.

Porém, com a nova tarifa de 12,5% que também afetará outros países, inclusive aliados tradicionais dos EUA como Israel, o governo entende que os americanos dificilmente farão concessões específicas para o Brasil.

O Brasil acredita que essa tarifa não é justa, pois o país é referência mundial no combate ao trabalho escravo. Ainda assim, o governo considera pouco provável que os EUA façam um gesto de alívio para o Brasil nessa questão.

A tarifa de 25% foi anunciada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sob a seção 301. O relatório final dessa investigação será divulgado até 15 de julho, e o presidente dos EUA, Donald Trump, decidirá sobre a aplicação ou não das tarifas.

O governo brasileiro entende que qualquer tarifa começará a valer a partir dessa data e espera conseguir algum espaço para negociar, embora reconheça que essa tarefa será difícil.

Por enquanto, o Brasil está disposto a discutir reduções nas tarifas para aumentar a entrada de produtos americanos no mercado brasileiro. No entanto, qualquer alteração no Pix, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central que foi alvo da investigação da USTR, está fora de discussão.

O governo também pode aceitar outras facilidades no comércio bilateral, mas isso dependerá de negociações diretas entre os dois países e de um sinal de redução das tarifas por parte dos EUA.

Uma nova reunião entre negociadores do Brasil e dos Estados Unidos deve acontecer na próxima semana, dentro do grupo de trabalho criado após o encontro entre Trump e Lula na Casa Branca, em 7 de maio.

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