Nos últimos anos, a América Latina tem assistido a uma mudança para a direita, mas os governos que apoiam os planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentam pressão crescente. Recentemente, Bolívia e Chile foram palco de protestos populares contra as políticas dos atuais presidentes destes países.
Na Bolívia, manifestações populares ocorrem desde maio, exigindo a renúncia do presidente que está no cargo há cerca de seis meses. Rodrigo Paz assumiu o poder em novembro de 2025, encerrando duas décadas de governos de esquerda. Ele contou com o apoio de seu vice, Edmand Lara, para manter diálogo com grupos populares bolivianos.
Declarações de Marco Rubio
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, crítico dos governos de esquerda, expressou expectativa de mudanças políticas na América Latina, que poderiam fortalecer a cooperação com os Estados Unidos. Em audiência no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, Rubio falou sobre a possível ampliação do Escudo das Américas, aliança militar contra o terrorismo e narcotráfico formada por 13 países da região.
Ele destacou que países como Nicarágua, Cuba, Venezuela, Colômbia e Brasil não fazem parte da coalizão. Segundo especialistas, como o professor Elton Gomes da Universidade Federal do Piauí, as declarações refletem um esforço internacional para eleger aliados ideológicos do trumpismo ao redor do mundo.
Próximas eleições na região
A América Latina se prepara para três eleições importantes, com forte polarização e apoio dos EUA a candidatos de direita. No Peru, o segundo turno será entre o candidato de esquerda Roberto Sánchez e a candidata Keiko Fujimori. Na Colômbia, estarão em disputa Abelardo de la Espriella e Ivan Cepeda, da esquerda. No Brasil, os principais nomes são o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Pressões dos EUA
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, a América Latina passou a ser a prioridade máxima na estratégia de segurança dos EUA. Além de focar em países como Cuba e Brasil, os Estados Unidos têm intensificado ações contra figuras importantes, como o ex-militar cubano Raúl Castro. O governo dos EUA também classificou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o que gera preocupação sobre possíveis interferências no Brasil.
Adicionalmente, EUA anunciaram a intenção de impor uma taxa de 25% sobre certos produtos brasileiros, reacendendo tensões comerciais. O senador Flávio Bolsonaro negou envolvimento nessa medida.

