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sábado, 06/06/2026

Ministro afirma que governo intensificou ações contra incêndios por causa do Super El Niño

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LAURA SCOFIELD
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco, declarou nesta sexta-feira (5) que o governo aumentou o monitoramento e mobilizou o maior número de brigadistas já registrado devido à previsão do fenômeno chamado “Super El Niño”.

“Elevamos a quantidade de aeronaves e equipamentos de prevenção e combate e investimos mais de meio bilhão de reais nos corpos de bombeiros dos estados com maior incidência de incêndios florestais”, afirmou Capobianco durante um pronunciamento em rede nacional em celebração ao Dia do Meio Ambiente.

O El Niño é um fenômeno climático que acontece por causa do forte aquecimento nas águas do Pacífico Equatorial, próximo ao Peru.

Esse fenômeno provoca aumento das temperaturas e alterações no padrão das chuvas. Dependendo da região, pode causar secas graves, aumentando o risco de incêndios, ou chuvas intensas. O último episódio de El Niño ocorreu entre 2023 e 2024, sendo esses os anos mais quentes já registrados.

Conforme noticiado pela Folha de S.Paulo, o governo já planejava ações para amenizar os efeitos e impedir que os incêndios florestais se alastrem durante a seca, podendo ser necessário abrir crédito extra para essa finalidade.

Capobianco assumiu o ministério em abril, substituindo a ex-ministra Marina Silva, que deixou o cargo para concorrer nas eleições deste ano. Antes, ele exercia a função de secretário-executivo da pasta.

O ministro comentou também a redução do desmatamento. Seu pronunciamento acontece pouco depois da divulgação de dados favoráveis para o governo Lula, que adotou o combate ao desmatamento como uma de suas principais propostas em 2022.

“Nos últimos três anos, o desmatamento na Amazônia caiu pela metade; no Cerrado, houve uma redução de 32%, e no Pantanal, de 65%. Proteger nossos biomas significa preservar a biodiversidade e evitar a liberação de milhões de toneladas de gases que causam o efeito estufa”, destacou Capobianco.

De acordo com o sistema de monitoramento MapBiomas, o desmatamento em 2025 foi o menor desde 2019, primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro (PL). Pela primeira vez desde então, o desmatamento ficou abaixo de um milhão de hectares.

Em 2025, foram desmatados 984.794 hectares em todo o país, uma queda de 20,6% em relação ao ano anterior. A diminuição ocorreu em todos os biomas brasileiros, inclusive na Amazônia, onde a redução foi de 23,5% comparado a 2024.

Mesmo assim, essa área equivale a derrubar cinco árvores por segundo na floresta tropical brasileira.

Capobianco informou ainda que as áreas protegidas foram ampliadas, somando o equivalente a cerca de cinco milhões de campos de futebol, por meio da criação de várias reservas ambientais e do reconhecimento de terras indígenas e quilombolas.

O ministro mencionou também a retomada da cooperação internacional. “Após quatro anos de afastamento, reiniciamos o Fundo Amazônia, que agora conta com nove países financiadores.”

Esse fundo busca captar recursos para combater o desmatamento, prevenir incêndios e restaurar o meio ambiente. No entanto, esteve paralisado para novos projetos durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Capobianco afirmou que as iniciativas proporcionaram a mobilização de R$ 204 bilhões em recursos públicos e privados, nacionais e internacionais. Também ressaltou os investimentos na recuperação de áreas degradadas e na restauração florestal, com 3,4 milhões de hectares já recuperados.

“Esses avanços são resultado da colaboração entre o governo federal, estados, municípios e a sociedade civil. Tudo foi possível graças ao retorno dos investimentos em ciência, monitoramento e ao fortalecimento de instituições essenciais como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que enfrentaram tentativas de enfraquecimento nos anos anteriores”, explicou o ministro.

Mesmo com essas ações, o governo enfrenta críticas por apoiar projetos como a exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas, devido aos impactos ambientais.

No começo do ano, manifestações indígenas levaram o governo a desistir de privatizar a gestão das hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.

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