A Vigilância Sanitária do Distrito Federal, ligada à Secretaria de Saúde (SES-DF), retirou mais de 10 toneladas de alimentos inadequados para consumo desde o começo de 2026. Durante esse período, foram feitas 15,4 mil fiscalizações e emitidos 603 autos de infração, incluindo 169 fechamentos parciais ou totais de estabelecimentos.
Esses dados foram divulgados no dia 7 de junho, em homenagem ao Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar a população sobre os riscos de doenças causadas por alimentos contaminados, como infecções, parasitas e botulismo.
A diretora da Vigilância Sanitária da SES-DF, Márcia Olivé, explicou que as ações são principalmente preventivas e abrangem toda a cadeia alimentar, desde a produção até o comércio em restaurantes, cantinas e eventos.
“Estamos falando de internações, faltas ao trabalho, sequelas graves e, em casos extremos, mortes que poderiam ser evitadas, além da pressão sobre os serviços de saúde”, destacou Márcia Olivé.
A participação da população é essencial para o trabalho de fiscalização. Por meio da plataforma Participa DF ou pelo telefone 162, os cidadãos podem pedir informações e fazer denúncias. Só em 2026, a Vigilância Sanitária já respondeu a 2.206 solicitações da população.
“A segurança dos alimentos começa no campo, passa pelo comércio e termina na mesa do consumidor. Em casa, cada pessoa é o último agente de vigilância sanitária”, ressaltou Márcia Olivé.
Além da fiscalização, a Vigilância Sanitária promove ações educativas para o setor regulado. Conforme a diretora, as punições são aplicadas principalmente em casos de negligência grave ou reincidência. Neste ano, 6.897 profissionais receberam treinamento sobre boas práticas sanitárias.
Análises laboratoriais reforçam controle
O monitoramento conta com o apoio do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), que realiza análises microbiológicas para detectar bactérias e fungos em alimentos. O laboratório também faz exames físicos e químicos para identificar aditivos, contaminantes e outras substâncias nos produtos.
As análises são feitas em alimentos sólidos e líquidos, com resultados em até 72 horas. Em 2026, mais de 700 produtos foram coletados pela Vigilância Sanitária para avaliação.
Os alimentos são recolhidos em supermercados, farmácias e unidades de saúde para verificar se cumprem os padrões de qualidade e segurança exigidos por lei.
“O objetivo dessas análises é confirmar se as amostras estão dentro dos padrões sanitários exigidos para consumo”, explicou a diretora do Lacen-DF, Solange Fagundes.
A gerente substituta da Gerência de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis e de Transmissão Hídrica e Alimentar da SES-DF, Fernanda Ledes, alertou que a contaminação nem sempre é perceptível pelo consumidor.
“O alimento contaminado pode manter cheiro, cor e sabor parecidos com os de um alimento saudável”, destacou.
A especialista recomendou evitar consumir alimentos de origem duvidosa, ovos com cascas sujas ou quebradas, carnes sem selo de inspeção oficial, produtos sem rótulo adequado, sem data de validade ou origem conhecida, além de embalagens amassadas, abertas ou enferrujadas.
“Fiscalizar é responsabilidade de cada consumidor”, concluiu Fernanda Ledes.

