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segunda-feira, 08/06/2026

Agência investiga possível uso indevido de dados da Claro com Serasa

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Em Brasília

LAURA SCOFIELD
FOLHAPRESS

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu processos contra a empresa de telefonia Claro e a companhia de análise de crédito Serasa Experian por possível compartilhamento inadequado de informações de clientes.

Eles investigam uma parceria entre as duas que pode ter violado a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A agência quer saber se a Claro enviou informações demais sem avisar seus clientes durante essa colaboração, fechada em 2021 e que terminou em 2023 após autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

De acordo com o acordo, a Claro passava dados dos seus clientes para a Serasa, que usaria para criar novos serviços.

Fabricio Guimarães, superintendente de fiscalização da ANPD, informou que foram compartilhados 106 tipos de informações, como CEP, volume de reclamações, uso de pay-per-view e dados móveis, sem que os clientes tenham consentido previamente.

A LGPD determina que o uso de dados pessoais deve ser o menor possível para atingir o objetivo.

A Claro declarou que o processo está apenas começando e que acredita ter seguido todos os critérios da LGPD, como finalidade, adequação e transparência.

A empresa também afirmou que os dados foram usados somente para análises internas e não para produtos no mercado, e que mantém um programa forte de proteção de privacidade, colaborando com a ANPD.

A Serasa Experian reiterou que não desrespeitou a LGPD e que cumpriu todas as regras legais nessa parceria, prometendo apresentar explicações dentro do prazo da autoridade.

Ambas receberam notificações no começo de junho, cada uma responde a um processo diferente. A Claro enfrenta um processo que pode resultar em multas de até 2% do faturamento ou R$ 50 milhões por infração.

A ANPD deve orientar a Claro sobre as regras para contratos futuros e atuais de compartilhamento de dados.

As alegadas irregularidades incluem envio excessivo de dados, falta de transparência para os clientes e dificuldades em comunicação com o encarregado de dados da empresa.

Depois da defesa das empresas, a decisão ficará a cargo da Superintendência de Fiscalização, e recursos serão avaliados pelo Conselho Diretor da ANPD.

A investigação da Serasa ainda está em andamento, e a ANPD analisará sua transparência com os titulares dos dados, verificando se a política de privacidade informa de forma clara quem compartilha dados e com quem.

Se descoberta alguma irregularidade, o caso poderá avançar para punições.

Stefani Vogel, especialista em proteção de dados, destacou que a ANPD deve garantir o respeito no uso das informações pessoais, que são protegidas como um direito fundamental na Constituição. Ela alerta que esses dados refletem parte da nossa personalidade e afetam nossa vida social.

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