O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan. A medida, que começou a valer em 9 de junho, foi adotada de forma preventiva após o registro de 42 casos de reações adversas graves entre aproximadamente 500 mil doses aplicadas no Brasil.
Entre os casos avaliados, três foram classificados como sinais de alerta, incluindo duas mortes que ainda estão sob investigação para verificar a relação com a vacina. Apesar desse cenário, o ministério afirmou que a suspensão não coloca em dúvida a eficácia do imunizante, que protege contra os quatro tipos de vírus da dengue.
Monitoramento intensificado
Durante o período de suspensão, o governo reforçará o acompanhamento dos pacientes que receberam a vacina nos últimos 21 dias, principalmente para identificar possíveis reações adversas. A orientação é que qualquer sintoma após a vacinação seja comunicado às unidades de saúde para avaliação.
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, destacou que os dados ainda indicam que a vacina oferece proteção efetiva contra a doença, e que as investigações buscam esclarecer se há alguma ligação entre os eventos registrados e a imunização.
Cuidados para quem foi vacinado
O ministério recomenda que pessoas vacinadas nas últimas três semanas procurem atendimento médico caso apresentem sintomas de alerta, como:
- Febre;
- Dor abdominal intensa;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
O objetivo é garantir um atendimento rápido e monitoramento adequado para evitar complicações.
Investigação dos casos graves
Equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan continuam analisando os casos agravados. Um exemplo é o de uma mulher de 39 anos que apresentou sintomas graves seis dias após receber a vacina, precisou de internação em UTI, mas já recebeu alta.
Outros dois casos, de uma mulher de 48 anos e um homem de 58 anos, que faleceram após complicações graves, estão sendo cuidadosamente avaliados para determinar se há ligação com a vacinação.
Até o momento, não há comprovação de que a vacina tenha causado os óbitos. As investigações seguem para definir se a campanha de imunização poderá ser retomada e sob quais condições.

