Lilmara Neto Oliveira, ex-gerente da Cacau Show na região de Samambaia, está sendo investigada por estelionato e fraude corporativa que causaram um prejuízo superior a R$ 240 mil a empresários franqueados. Ela teria criado uma rede de mentiras para desviar dinheiro e fraudar o funcionamento das franquias no Distrito Federal e região.
Responsável pela administração financeira e pelo fluxo de caixa, Lilmara justificava movimentações frequentes de mercadorias, cobrindo transferências fraudulentas. Para abastecer a loja de Samambaia, ela retirava produtos de outras unidades, alegando compras feitas pela franqueada prejudicada.
Os comprovantes de Pix das lojas mostram que os valores pagos não quitavam as transações reais, mas eram direcionados para contas bancárias de familiares e pessoas próximas à ex-gerente.
A Cacau Show identificou o problema no final do ano passado e agiu rapidamente para tomar as medidas cabíveis após a apuração dos indícios.
Para evitar cobranças diretas dos lojistas, Lilmara usava desculpas falsas e crises familiares inventadas para manter a fraude oculta, manipulando os franqueados para prolongar o esquema.
O negócio ainda incluía criação de identidades telefônicas falsas e simulação de conversas para que os empresários se cobrassem entre si, prejudicando reputações e criando confusão na rede.
Detalhes da investigação
- Lilmara atuava como consultora de negócios da Cacau Show em Samambaia;
- Os golpes começaram no início de 2024, e ela foi demitida em outubro de 2023, desaparecendo logo em seguida;
- Os prejuízos confirmados passam de R$ 240 mil, mas podem ser maiores conforme novas vítimas aparecem;
- As investigações começaram após denúncia de uma franqueada que perdeu mais de R$ 190 mil;
- O esquema começou a ser desvendado no fim de outubro de 2025, quando a empresa comunicou a demissão;
- A Cacau Show confirmou que a ex-funcionária foi desligada por justa causa após apuração interna.
Autoridade e confiança abusadas
De acordo com os franqueados Lucifátima Ferreira Barros Seabra e seu marido, as operações pareciam normais, pois Lilmara era vista como representante legítima da empresa. Ela acompanhava resultados, orientava campanhas, fiscalizava lojas e mediava os contatos entre franqueados e franqueadora, o que facilitou a execução das fraudes.
A ex-gerente usava seu cargo para ordenar pagamentos de fornecedores e taxas para contas de terceiros ou suas próprias contas pessoais, especialmente em épocas de campanhas sazonais como Páscoa e Natal.
O ponto alto do golpe ocorreu em janeiro de 2025, quando convenceu uma franqueada a fazer uma transferência única de R$ 136.045,08 para a conta da sua empresa, sob o pretexto de centralizar pagamentos que nunca foram repassados à franqueadora.
Consequências para os franqueados
Alertas sobre pedidos suspeitos e atrasos em pagamentos já haviam sido enviados à hierarquia, e a situação era monitorada pela polícia antes da família lesada registrar a ocorrência.
Apesar das suspeitas, Lilmara permaneceu no cargo, o que permitiu que os desvios continuassem e aumentassem o prejuízo para os investidores.
Os franqueados afirmam que, em vez de apoio da empresa, sofreram sanções como bloqueio de sistemas, corte de mercadorias essenciais e cancelamento de pedidos para campanhas futuras.
Essas medidas causaram queda no faturamento por meses, resultando no encerramento compulsório do contrato de franquia no final de 2025.

