A União Europeia (UE) decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar certos produtos de origem animal para o bloco. Com isso, o Brasil se tornou o único país do Mercosul a sofrer essas novas restrições sanitárias impostas pela Europa.
Enquanto o Brasil foi excluído, Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a vender produtos de origem animal para os 27 países da União Europeia, conforme regulamento publicado pela Comissão Europeia em 5 de junho de 2026.
Essa medida pode impactar fortemente um mercado muito importante para o agronegócio brasileiro.
A exclusão do Brasil acontece em um momento em que há uma aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia, com um acordo cuja aplicação provisória começou recentemente.
No entanto, a Comissão Europeia afirma que a decisão não tem ligação com este acordo comercial, mas sim com o cumprimento das normas sanitárias exigidas pelo bloco.
Por que o Brasil foi excluído
- O regulamento europeu aponta que o Brasil não entregou informações suficientes para comprovar que conseguirá cumprir, até setembro de 2026, as regras do bloco sobre o uso de certos antimicrobianos na produção animal.
- A legislação da União Europeia proíbe a importação de produtos de origem animal provenientes de sistemas que utilizem esses antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar a produtividade dos animais.
- A Comissão Europeia destaca que o uso inadequado dessas substâncias contribui para a resistência bacteriana, um dos maiores riscos globais à saúde pública.
- Por esses motivos, o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar para a UE carnes de bovinos, aves, equídeos, produtos de aquicultura, mel e tripas.
A restrição, se for aplicada, poderá causar impactos significativos para o setor exportador brasileiro.
Em 2025, as exportações brasileiras para a UE nesses setores somaram aproximadamente US$ 1,8 bilhão, distribuídos da seguinte forma:
- Carne bovina: US$ 1,048 bilhão;
- Carne de frango: US$ 762,9 milhões;
- Carne de peru: US$ 15,7 milhões;
- Carne suína: US$ 1 milhão;
- Carne de cavalo: US$ 1 milhão;
- Carne ovina: US$ 144 mil;
- Carne de pato: US$ 24 mil.
Autoridades do governo brasileiro afirmam que o Ministério da Agricultura enviou toda documentação exigida às autoridades europeias em outubro de 2025, comprovando a adaptação às normas sanitárias. Segundo o governo, não foram solicitadas informações adicionais nem houve alertas sobre insuficiência dos dados.
Mesmo com a decisão oficial, o veto ainda não está em vigor e só passará a valer em 3 de setembro de 2026.

