O medo da violência no Brasil passou a influenciar o cotidiano de milhões de pessoas. Pesquisa inédita do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), realizada pelo Instituto Datafolha, revela que 57% dos brasileiros com 16 anos ou mais modificaram pelo menos um hábito nos últimos 12 meses por causa da insegurança, o que representa cerca de 95 milhões de pessoas.
As mudanças mais comuns incluem:
- Alterar trajetos rotineiros (36,5%)
- Evitar sair à noite (35,6%)
- Não sair com celular por medo de assalto (33,5%)
- Retirar aliança ou acessórios antes de sair (26,8%)
Além disso, 22,5% dos entrevistados disseram ter parado de comprar algum bem por receio de roubo ou furto.
As mulheres são as mais afetadas pela insegurança. Enquanto 40,9% delas evitam sair à noite, apenas 29,8% dos homens fazem o mesmo, uma diferença de 11,1 pontos percentuais.
Elas também deixam de sair com o celular com mais frequência (37,8% contra 28,9% dos homens), alteram trajetos diários com maior intensidade (37,6% contra 35,3%) e removem acessórios pessoais com maior frequência antes de circular pelas ruas (27,7% contra 25,9%).
A pesquisa “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do país entre 9 e 10 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança.
Medo de golpes pela internet
O estudo mostra que 96,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais têm medo de sofrer pelo menos um dos 13 tipos de crime e violência listados na pesquisa.
O maior medo é cair em golpes pela internet ou celular, citado por 83,2% dos entrevistados. Nos últimos 12 meses, 15,8% afirmaram ter perdido dinheiro em fraudes desse tipo.
Outros receios frequentes são o medo de roubo à mão armada (82,3%) e o medo de morrer durante um assalto (80,7%). Em 11 das 13 categorias listadas, mais da metade da população declarou sentir medo.
