TIAGO MINERVINO
UOL/FOLHAPRESS
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina iniciou uma investigação interna sobre um possível plano para atacar a desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer, responsável pelos casos da Operação Mensageiro, que provocou a prisão de 17 prefeitos no estado, além de outros funcionários públicos e empresários, em 2022.
Esse plano foi descoberto após a operação DNA do Crime, realizada em 2 de junho, direcionada a empresários suspeitos de participarem de uma organização criminosa. Essa ação está ligada à Mensageiro, que também foi permitida pela desembargadora, e investiga indícios de enriquecimento ilícito de empresários envolvidos em casos de corrupção e fraude licitatória e que mantêm contratos públicos.
As suspeitas sobre o ataque à Cinthia surgiram no sistema prisional local. As apurações são conduzidas pelo Núcleo de Inteligência e Segurança do próprio Tribunal de Justiça catarinense.
Um dos sete detidos na ação DNA do Crime mencionou dentro da prisão o suposto plano. A intenção seria acompanhar os movimentos e rotina da desembargadora.
Até agora, não se sabe quem estaria por trás da ameaça. Uma teoria do tribunal é que os suspeitos poderiam tentar simular um acidente de carro para encobrir o crime.
Vale lembrar que em março de 2023, a desembargadora Cinthia esteve envolvida em um acidente de trânsito na BR-101 em Itajaí, onde ela e o motorista ficaram com ferimentos leves. Na época, o caso foi tratado como um acidente comum, sem investigação de crime envolvido.
O Tribunal de Justiça confirmou a investigação, mas reforçou que os detalhes são confidenciais. “O Tribunal de Justiça de Santa Catarina não comentará sobre procedimento sigiloso em curso para assegurar a continuidade e o bom andamento das investigações”, disse o órgão.
Também foi comunicada a intensificação da segurança para a desembargadora. Não foi possível contato com Cinthia Schaefer para uma declaração.
A Operação Mensageiro, iniciada em 2022, investiga irregularidades em várias prefeituras de Santa Catarina. O foco é em contratos com empresas de coleta e limpeza urbana.
Cinthia Schaefer é a relatora da Mensageiro desde seu começo e autorizou a prisão dos 17 prefeitos, servidores e empresários.
Todos os prefeitos presos foram liberados e negam os crimes.
Até o momento, a Mensageiro já teve seis fases, com 45 prisões preventivas, 316 mandados de busca e apreensão em diversas cidades, e investigações contra 66 pessoas suspeitas de crimes.
Cinthia, natural de Porto Alegre, graduou-se na Universidade do Vale do Rio dos Sinos no Rio Grande do Sul. Ela atua como desembargadora no Tribunal de Justiça catarinense desde fevereiro de 2017.

