Por Mariah Mergener e Lais Cornils
No Dia dos Namorados, a geração mais conectada da história enfrenta um desafio: apesar de ser fácil conversar com alguém, apaixonar-se se tornou algo difícil. As redes sociais mudaram a forma como as pessoas se relacionam.
Hoje em dia, muitos flertes ocorrem pelas redes sociais. Curtidas e emojis são usados para demonstrar interesse, e o silêncio, conhecido como ghosting, virou uma forma comum de rejeição.
A psicoterapeuta cognitivo-comportamental Priscila Moni explica que muitos jovens sentem insegurança e cansaço emocional nos relacionamentos, e percebem que as relações parecem frágeis e difíceis de serem compreendidas.
Solidão
Segundo pesquisa da McCann Truth Central 2024, 82% dos jovens brasileiros se sentem sozinhos, mesmo perto da família e amigos. O Brasil é o país com maior índice de solidão entre os jovens.
Relações superficiais
Artur, 18 anos, estudante de relações internacionais, nota que as relações online levaram muitas pessoas a perderem a prática de se relacionar pessoalmente, tornando os encontros presenciais difíceis e sem conversa.
Essa geração muitas vezes se apega ao conforto das telas, dificultando o contato real.
Beatriz Godoy, 19 anos, comenta que hoje as relações são rápidas e superficiais, com decisões impulsivas e pouca profundidade.
Relações sem rótulos
As chamadas “situationships” são relacionamentos sem definição clara, com intimidade e carinho, mas sem compromisso formal. Priscila Moni acredita que isso acontece porque a geração Z cresceu vendo relações instáveis e valoriza muito a liberdade pessoal.
Essa superficialidade dificulta a comunicação emocional entre os jovens.
O livro e série “Normal People”, da escritora irlandesa Sally Rooney, retrata bem essa dificuldade de comunicação em um relacionamento.
Impacto da pandemia
A pandemia mudou a forma como os jovens se relacionam, interrompendo processos importantes de socialização e aumentando a ansiedade, segundo a psicoterapeuta.
Priscila Moni destaca que muitos jovens aprenderam a manter o Wi-Fi ligado, mas tiveram poucas oportunidades de desenvolver conexões emocionais offline.
Desenvolvimento de habilidades
Ela ainda explica que habilidades como intimidade, vínculo e vulnerabilidade foram adiadas pela pandemia, mas podem ser aprendidas ao longo da vida.
Amar presencialmente
Júlia Simionatto, estudante de psicologia, acredita que o encontro presencial é fundamental para entender a verdadeira essência das pessoas, e que a geração atual está acostumada a relações superficiais online.
Paulo Guerra, 19 anos, pondera que relacionamentos rasos sempre existiram e que as redes sociais apenas facilitaram esses encontros.

