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sexta-feira, 12/06/2026

Dia dos namorados: saiba identificar abuso emocional

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Por Joana Alves
Agência de Notícias CEUB

Em relacionamentos saudáveis, os casais resolvem problemas conversando e encontrando acordos, mas em relacionamentos prejudiciais, há muito controle, manipulação e agressividade.

O psicólogo João Antônio Mallmann, com 16 anos de experiência em terapia familiar e psicoterapia, explica que o abuso emocional traz desequilíbrio de poder, medo, manipulação e sofrimento constante, indicando que algo está errado na relação.

Ele ressalta que todos os relacionamentos têm conflitos, mas a grande diferença entre um relacionamento saudável e um abusivo está em como esses conflitos são enfrentados.

Em relacionamentos tóxicos, os conflitos servem para controlar, desvalorizar ou até mesmo agredir, ao invés de promover respeito e autonomia entre o casal.

Entendendo os conflitos

Cada pessoa traz suas próprias experiências e maneiras de lidar com emoções, por isso conflitos são naturais. Em um relacionamento equilibrado, os conflitos ajudam a escutar, negociar e fortalecer a relação.

João Mallmann destaca que o ponto positivo está na capacidade do casal de se adaptar às dificuldades que surgem.

Diferenças existem entre brigas comuns e abusos; é possível ter conflitos sem que haja abuso.

Ciúme exagerado

Um sentimento que pode causar problemas entre casais é o ciúme. Para Mallmann, o ciúme pode nascer de insegurança ou medo de perder a pessoa amada, e isso pode ser trabalhado.

O problema aparece quando o ciúme vira motivo para controlar, vigiar ou invadir a privacidade do parceiro.

Quando o ciúme não é expresso de forma madura e justifica controle excessivo, o casal enfrenta um problema sério.

Primeiros sinais de abuso

Normalmente, o abuso começa de forma sutil, muitas vezes disfarçado de preocupação ou cuidado. Excesso de interesse no início do relacionamento, críticas disfarçadas de preocupação e dificuldade em aceitar os relacionamentos sociais do parceiro são sinais que merecem atenção.

Crenças culturais que associam posse e ciúme ao amor dificultam reconhecer o abuso.

As vítimas podem encontrar dificuldade para sair dessas relações abusivas, pois o parceiro usa estratégias de recompensa e punição, criando dependência e tornando o rompimento doloroso.

A violência emocional prejudica a autoestima e pode fazer com que a vítima sinta culpa pelas agressões e não confie em seus próprios sentimentos.

Impactos na saúde mental

A médica Renata Facco, especialista em psiquiatria, explica que o abuso emocional pode causar problemas psicológicos graves, como depressão, ansiedade e estresse pós-traumático.

O corpo fica em alerta constante, liberando hormônios do estresse que acabam causando exaustão física e mental, dificultando que a vítima tenha prazer e concentração no dia a dia.

Esse estado permanente de alerta faz com que a vítima gaste muita energia apenas tentando evitar o próximo momento de sofrimento.

Quando buscar ajuda

A ajuda profissional é fundamental e deve ser buscada o quanto antes. Psicólogos e psiquiatras podem apoiar as vítimas para que elas recuperem a autonomia e a autoestima.

Sinais graves, como pensamentos de morte, ataques de pânico frequentes, incapacidade de realizar atividades básicas, uso abusivo de álcool ou medicamentos, exigem atendimento emergencial.

As vítimas frequentemente têm dificuldade para expressar o que sentem, apresentando apatia e dissociação, e o estresse prolongado pode causar sintomas físicos, como dores crônicas e fadiga extrema.

Mulheres e abuso emocional

A psiquiatra Renata Facco destaca que as mulheres são muitas vezes vítimas dessa desigualdade de poder dentro dos relacionamentos, devido a pressões sociais que ainda esperam que elas assumam responsabilidades domésticas e familiares exaustivas.

Essa situação gera culpa e mantém muitas mulheres presas a relacionamentos abusivos, vivendo em constante alerta e com ansiedade, sacrificando sua saúde física e mental para evitar violência.

Ambos os especialistas reforçam a importância do acompanhamento profissional para que as vítimas possam compreender seus relacionamentos, fortalecer sua autonomia e melhorar sua qualidade de vida.

Onde buscar ajuda

  • Central de atendimento à mulher – Ligue 180
  • Centro de Valorização da Vida (CVV) – Ligue 188
  • Em caso de perigo imediato: Polícia Militar – Ligue 190

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