Nossa rede

Economia

Preço da carne estava represado há 3 anos e não deve baixar, diz ministra

Publicado

dia

Alta de exportações de carne para China tem elevado preços nos açougues, mas ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina, nega falta de oferta

Carne: nos açougues, filé registrou índices de aumento acima de 50% e o coxão mole, de 46% (Alexandre Severo/Exame)

Brasília e São Paulo — O preço da arroba do boi gordo, que em São Paulo teve aumento real de 35% em um mês, não vai mais retornar ao patamar anterior. A afirmação é da ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ela disse que a alta das exportações para a China teve forte impacto na valorização da carne. O que também ajudou a puxar o aumento, segundo ela, teria sido a falta de reajuste nos preços nos últimos três anos.

O presidente Jair Bolsonaro, em transmissão pela internet, declarou que a ministra garantiu que, daqui a três ou quatro meses, o preço da carne voltaria à normalidade.

Algumas redes de supermercados têm afirmado que a exportação de carne está limitando a oferta da proteína no País, além de inflacionar o produto. A rede paraense Líder colocou cartazes em suas 20 lojas de supermercados alertando os consumidores sobre problemas com o abastecimento de carne bovina, a alta dos preços e a falta dos produtos nas lojas.

Nos avisos, é informado que os frigoríficos sobem os preços diariamente alegando aumento nas exportações. “Recebíamos tabelas de preços dos fornecedores duas vezes por mês”, diz Oscar Rodrigues, diretor do Grupo Líder. “Agora, elas chegam de dois em dois dias, com a carne sempre mais cara.”

Segundo ele, o grupo abateu todas as cabeças de gado de suas fazendas para minimizar o impacto da alta do preço. Havia cerca de 1.000 cabeças que estavam em condições de abate. “Nossas margens estão bastante reduzidas e fizemos o informativo em respeito ao cliente que, quando perceber o aumento, pode se sentir enganado”, diz Rodrigues. “Nosso cliente é muito fiel e prezamos pela transparência.”

A ministra nega falta de oferta para o mercado nacional. “Não é verdade. Primeiro, o Brasil tem 215 milhões de cabeças de gado. Então, não é um rebanho para acabar amanhã. Segundo, realmente o mercado chinês mexeu com as exportações, e não só da carne brasileira, mas da carne argentina, paraguaia, uruguaia. É muito grande a necessidade da China.”

“Além de o Brasil abrir as exportações, temos de lembrar que o boi tinha um preço represado há três anos. O pecuarista estava tendo prejuízo nesse período”, declarou a ministra. “Antes, o produtor vendia uma arroba por R$ 140, em média. O que aconteceu é que, nesse primeiro momento de abertura, com a China pagando um preço muito bom, houve esse momento, digamos, de euforia. Em São Paulo, uma arroba está sendo vendida a R$ 231.”

Em menos de três meses, o contrafilé registrou índices de aumento acima de 50% e o coxão mole, de 46%, no preço de custo que acaba sendo repassado ao consumidor, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

O Ministério da Agricultura afirmou que está acompanhando de perto a situação e acredita que o mercado “vai encontrar o equilíbrio”. “Não é papel do Ministério intervir nas relações de mercado. Os preços são regidos pela oferta e procura. Neste momento, o mercado está sinalizando que os preços da carne bovina, que estavam deprimidos, mudaram de patamar”, afirmou, em nota.

Questionada se continua a consumir carne vermelha, Tereza Cristina respondeu em tom de brincadeira: “Estou comendo frango. Agora, é só frango”.

Inflação

Na avaliação de economistas, a alta não só da carne bovina como de outras mercadorias agrícolas – como feijão (de 38,1%, no atacado, até a metade de novembro), café (5,6%) e frango (3,2%) – deve colaborar para uma aceleração da inflação nos próximos meses. “Deve haver alguma pressão na inflação”, diz Fabio Silveira, da Macro Sector.

Ele estima que as altas dos preços dos alimentos, somadas aos dos combustíveis e energia elétrica, devem fazer com que 2020 comece com uma inflação de 4% a 4,2%.

 

 

Comentário

Economia

Japão lançará pacote de estímulos à economia na próxima semana

Publicado

dia

Governo também pedirá às instituições financeiras que ofereçam empréstimos com taxa de juros zero a pequenas e médias empresas sem dinheiro

Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão: “Vamos compilar o pacote na próxima semana” (Issei Kato/Reuters).

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse nesta sexta-feira que um pacote de estímulo para combater a pandemia de coronavírus será lançado na próxima semana e terá como alvo pequenas empresas e famílias mais afetadas pelas políticas de distanciamento social, que prejudicam o consumo.

O pacote incluirá gastos com suprimentos médicos, bem como pagamentos em dinheiro para pequenas empresas e famílias que enfrentaram quedas acentuadas de renda, disse Abe.

O governo também pedirá às instituições financeiras privadas que se juntem a credores afiliados ao governo para oferecer empréstimos com taxa de juros zero a pequenas e médias empresas sem dinheiro, disse ele.

“Vamos compilar o pacote na próxima semana”, disse Abe ao Parlamento.

“Entregaremos em um curto período de tempo um pacote direcionado e arrojado” que ajudará a economia a obter uma recuperação em forma de V, disse ele.

Um alto funcionário do partido no poder disse a repórteres nesta sexta-feira que concordou com Abe em oferecer 300 mil ienes (2.800 dólares) em pagamentos em dinheiro por família que sofreu um certo grau de perda de renda devido à pandemia.

O governo deve aprovar um Orçamento suplementar na terça-feira para financiar o pacote.

Interrupções na cadeia de suprimentos, proibições de viagens e políticas de distanciamento social desencadeadas pela pandemia atingiram a economia do Japão, que já estava à beira da recessão.

O ministro da Economia do país, Yasutoshi Nishimura, disse que as medidas de estímulo do governo serão entregues em duas etapas.

O primeiro pacote se concentrará em medidas imediatas para aliviar os apertos de financiamento corporativo e proteger os empregos. O segundo lote se concentrará no aumento da demanda, principalmente para indústrias atualmente afetadas por políticas de distanciamento social, como turismo e organizadores de eventos, disse ele em entrevista coletiva.

Abe prometeu estabelecer um enorme plano de estímulo para combater o vírus que excederá o pacote de 57 trilhões de ienes (525 bilhões de dólares) compilado após o colapso do Lehman Brothers em 2008.

Fontes disseram que o Japão financiará o pacote aumentando a emissão de títulos do governo em 149 bilhões de dólares, elevando o que já é o maior fardo da dívida do mundo industrial, com mais do dobro do tamanho da economia japonesa de 5 trilhões de dólares.

Ver mais

Economia

China corta compulsório de pequenos bancos para estimular economia

Publicado

dia

China possui cerca de 4 mil bancos pequenos e médios. Os cortes mais recentes vão reduzir sua taxa de compulsório para 6%

Yuan: taxa de juros sobre as reservas excedentes das instituições financeiras com o banco central será reduzida de 0,72% para 0,35% (Frederic J. Brown/AFP)

O banco central da China disse nesta sexta-feira que está cortando a quantidade de dinheiro que os bancos pequenos e médios têm que manter como reservas, liberando cerca de 400 bilhões de iuanes (56,38 bilhões de dólares) em liquidez para sustentar a economia, que foi bastante abalada pela crise do coronavírus.

A medida mais recente de estímulo ocorre num momento em que a segunda maior economia do mundo deve encolher pela primeira vez em 30 anos, com as esperanças de uma recuperação rápida sendo prejudicadas pela rápida disseminação da doença em todo o mundo, esmagando a demanda global.

“A deterioração da economia global deve ter um grande impacto na economia da China, o que exige que a política monetária da China seja ainda mais relaxada e mais flexível”, disse Yan Se, economista-chefe da Founder Securities.

O Banco do Povo da China disse em seu site que reduzirá sua taxa de compulsório para esses bancos em 100 pontos-base em duas etapas iguais, a primeira em 15 de abril e a segunda em 15 de maio.

A China possui cerca de 4 mil bancos pequenos e médios. Os cortes mais recentes vão reduzir sua taxa de compulsório para 6%.

Além disso, a taxa de juros sobre as reservas excedentes das instituições financeiras com o banco central será reduzida de 0,72% para 0,35% a partir de 7 de abril, informou o banco.

O corte na taxa de compulsório foi levantado pelo gabinete na terça-feira, juntamente com outras medidas de apoio, à medida que Pequim tenta amortecer o golpe econômico da pandemia que está provocando preocupações com as pesadas perdas de empregos.

Embora acredite-se que a maioria das fábricas do país esteja em funcionamento novamente, embora não em níveis normais, uma pesquisa privada desta sexta-feira sugeriu que as empresas de serviços ainda estão lutando para se reerguer, e cortaram empregos em março no ritmo mais rápido desde pelo menos 2005.

O mais recente corte da taxa de compulsório será o terceiro até agora este ano e o décimo desde o início de 2018, quando a economia estava começando a desacelerar sob o peso da intensificação dos atritos comerciais EUA-China.

 

Ver mais

Economia

Dólar sobe após dados negativos na Europa e à espera de payroll

Publicado

dia

Dólar sobe após dados negativos na Europa e à espera de payroll

Dólar: às 9:07, o dólar avançava 0,22%, a 5,2775 reais na venda (Yuji Sakai/Getty Images)

O dólar voltou a subir nesta sexta-feira, 3, e encaminha para sua sétima semana consecutiva de alta. O movimento, que reflete a maior aversão a risco no mundo, ganhou força com os dados negativos sobre a atividade econômica na Europa. O mercado também segue atento aos dados do relatório de empregos urbanos dos Estados Unidos (payroll), que vão ser divulgados ainda nesta manhã. Às 9h20, o dólar comercial subia 0,2%% e era vendido a 5,275 reais, enquanto o dólar turismo permanecia estável, a 5,56 reais.

Na Europa, o índice de gerente de compras (PMI) composto de março ficou em 29,7 pontos, muito atrás dos 50 pontos dividem a expansão da contração da atividade. O número ficou abaixo da expectativa do mercado, que esperava 31,4 pontos. O destaque negativo ficou para o PMI de serviços da Itália, que registrou 17,4 pontos , quase 5 pontos abaixo da estimativa média.

Se o relatório de emprego dos Estados Unidos apontar para uma redução de mais de 100 mil postos de trabalho (esperado pelo mercado), a tendência é a de que a busca por ativos de segurança se intensifique ainda mais, desvalorizando as moedas de países emergentes.

“Com esse cenário de aversão a risco e políticas monetárias expansionistas, é superplausível ver o dólar chegando a 5,50 reais”, disse Marcel Zambello, analista da Necton Investimentos.

Nesta manhã, o dólar também ganhava força contra a lira turca e o peso mexicano, mas perdia em relação ao rublo russo, após maior alívio no conflito comercial entre Rússia e Arábia Saudita envolvendo a produção mundial de petróleo.

Na quinta-feira, 2, o presidente Donald Trump disse que espera que os dois países anunciem cortes de produção. Na segunda-feira, 6, os integrantes da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) farão uma reunião virtual para discutir o tema. Com isso, o petróleo WTI e brent voltavam a se apreciar nesta sexta, subindo mais de 10%. Ontem, a commodity fechou em alta de 25%.

 

Ver mais

Economia

Estados Unidos fecham 700 mil postos em março e desemprego vai a 4,4%

Publicado

dia

Coronavírus fez com que economia americana parasse contratações que vinham sendo ininterruptas há 113 meses

Estados Unidos: previsão era de houvesse cortes fora do setor agrícola de 100 mil empregos no mês passado (Andrew Kelly/Reuters)

A economia dos Estados Unidos fechou postos de trabalho em março, encerrando abruptamente um histórico de 113 meses seguidos de crescimento do emprego, à medida que ações rigorosas para controlar a pandemia de coronavírus prejudicam empresas e fábricas, praticamente confirmando uma recessão.

O Departamento do Trabalho dos EUA disse que os empregadores cortaram 701 mil vagas no mês passado, depois de criarem 275 mil em dado revisado em fevereiro. A taxa de desemprego disparou de 3,5% para 4,4%.

De acordo com uma pesquisa da Reuters com economistas, a previsão era de houvesse cortes fora do setor agrícola de 100 mil empregos no mês passado, interrompendo uma série recorde de ganhos de emprego desde outubro de 2010. O desemprego era previsto em 3,8%.

Nesta quinta-feira, os dados de pedido de auxílio desemprego divulgados sobre a semana passada já indicavam que os Estados Unidos estavam fazendo demissões.

 

Ver mais

Economia

Bolsonaro: pagamento do auxílio de R$ 600 deve começar na próxima semana

Publicado

dia

Medida de apoio a trabalhadores informais ainda precisa ser oficializada com Medida Provisória

Jair Bolsonaro: Questionado se a MP seria publicada ainda hoje, Bolsonaro disse apenas “deve ser” e falou sobre a burocracia “enorme” do processo (Carolina Antunes/PR/Flickr)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 2, que as ações do governo para o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 estão “a todo vapor” e que o pagamento já deve começar na semana que vem. A lei sobre o voucher foi sancionada ontem pelo presidente, mas ainda não foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

“Tá a todo vapor, semana que vem começa a pagar”, assegurou. O texto determina pagamento de R$ 600 por três meses para os trabalhadores informais, intermitentes e microempreendedores individuais poderem ficar em casa durante o pico da crise do novo coronavírus.

O valor foi negociado com o governo justamente para permitir que quem não pode sair para trabalhar tenha uma renda. Ainda falta, contudo, editar uma medida provisória com previsão do crédito extra para arcar com os R$ 98 bilhões do custo total do programa.

“Eu assinei ontem (quarta-feira) a lei, estamos esperando assinar outra medida provisória por que não adianta dar um cheque sem fundo, tem que ter um crédito também”, afirmou.

Questionado se a MP seria publicada ainda hoje, Bolsonaro disse apenas “deve ser” e falou sobre a burocracia “enorme” do processo. “Uma canetada minha errada é crime de responsabilidade. Dá para vocês entenderem isso ou vocês querem que eu cave minha própria sepultura? Não vou dar esse prazer para vocês”, declarou para jornalistas que o ouviam na saída do Palácio da Alvorada.

A sanção do projeto anunciada pelo presidente veio acompanhada com um veto ao aumento do limite de renda para acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). Sobre o assunto, Bolsonaro justificou que o Congresso não indicou a fonte dos recursos para incluir a medida.

“O que diz a lei é que tem que ter uma origem para pagar aquele recurso, para pagar aquele benefício. Qual a fonte? O Congresso não apresentou a fonte”, afirmou. Ele destacou que a previsão de indicar o recurso é “simples” e está na Constituição.

 

Ver mais

Economia

Mesmo com auxílio a empresas, 3 milhões de pessoas devem ficar sem emprego

Publicado

dia

Equipe econômica estima que ainda assim as medidas salvarão 8,5 milhões de postos de trabalho ao dar alívio momentâneo às empresas

Carteira de trabalho: benefícios emergenciais devem atender 24,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada (Paulo Fridman/Bloomberg)

O governo calcula que, mesmo com a implementação do seu Programa Emergencial de Manutenção do Emprego durante a crise do coronavírus, 3,2 milhões de trabalhadores devem ser demitidos.  Sem as medidas de apoio às pequenas e médias empresas, as demissões poderiam atingir até 12 milhões de trabalhadores.

Os benefícios emergenciais devem atender 24,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Isso significa que eles serão afetados por medidas de redução de jornada e salários ou suspensão de contratos. Apesar disso, a equipe econômica estima que o programa salvará 8,5 milhões de postos de trabalho ao dar alívio momentâneo às empresas.

Programa Emergencial

O Programa Emergencial de Manutenção do Emprego anunciado nesta quarta pelo governo permitirá a redução de jornada e salário em 25%, 50% e até 70% por até três meses por meio de acordos individuais entre empregador e empregado, ou coletivos. A medida também permite a suspensão dos contratos por até dois meses.

O empregado terá estabilidade no emprego por um período igual ao da redução de jornada ou suspensão de contrato.

“Queremos manter empregos e trazer tranquilidade para as pessoas. Criamos um benefício que protege o empregado e também as empresas”, disse o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco. Ele garantiu que as medidas não reduzirão o salário-hora do empregado e, na soma do salário e do benefício emergencial, “sempre será mantido salário mínimo”.

Segundo Bianco, os acordos para redução de jornada ou suspensão de contrato poderão ser individuais nos casos de trabalhadores com remuneração de até três salários mínimos (R$ 3.135), uma vez que nesses casos “haverá pouca redução salarial”.

Empregados que ganham acima disso, mas abaixo de duas vezes o teto do INSS (R$ 12.202,12), só poderão ter redução de jornada acima de 25% ou suspensão de contrato por meio de acordo coletivo. Quem ganha acima dos R$ 12,2 mil é considerado hipersuficiente segundo a última reforma trabalhista e poderá negociar individualmente com a empresa.

O governo pagará uma parte do seguro-desemprego a que o trabalhador teria direito se fosse demitido. Na redução da jornada, o porcentual será equivalente à redução da jornada (25% 50% ou 70%). Se a empresa e o trabalhador optarem por um corte menor que 25%, o empregado não receberá o benefício emergencial. Acima de 25% e abaixo de 50%, o valor será de 25% do seguro-desemprego. Com redução acima de 25% e abaixo de 70%, a parcela será de 50%.

Na suspensão do contrato, o governo vai pagar 100% do seguro-desemprego que seria devido nos casos de empregados de empresas do Simples Nacional (receita bruta até R$ 4,8 milhões). Empresas sob os regimes de lucro real e lucro presumido, com receita bruta acima de R$ 4,8 milhões, serão obrigadas a arcar com 30% do salário do funcionário para poder suspender o contrato, como antecipou o Broadcast. Nessa situação, o governo pagará 70% da parcela do seguro-desemprego.

 

Ver mais

Disponível nosso App

Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade

Viu isso?