MARCELO TOLEDO
FOLHAPRESS
A produção de cana-de-açúcar em Minas Gerais para a safra 2026/27 deve aumentar 11,6% em comparação à safra passada. Esse crescimento acontece por causa da ampliação das áreas plantadas e do aumento da produção por hectare.
Os dados foram divulgados no dia 24, durante o evento de abertura da safra em Uberaba, no Triângulo Mineiro. A previsão é de uma colheita de 83,3 milhões de toneladas, superando os 74,7 milhões da safra anterior.
De acordo com a Siamig Bioenergia, a área de plantio vai crescer 1% e a produtividade deve subir mais de 10%, indo de 72,1 para 79,4 toneladas por hectare.
A safra 2025/26 teve uma produção menor do que o esperado, com 74,7 milhões de toneladas, resultado da seca prolongada e da pouca chuva durante a entressafra, que indicavam uma queda de 7,1% em relação à safra 2024/25.
Para a nova safra, as condições climáticas foram mais favoráveis, ajudando na recuperação da produtividade e na melhora da qualidade da cana em 1,4%.
O evento da 9ª Abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol foi realizado na fazenda Santa Vitória, perto da usina Vale do Tijuco, que faz parte da CMAA, um dos principais grupos do setor sucroenergético do Brasil.
Para esta safra, estima-se que 55% da cana será usada para produzir açúcar, com a fabricação de etanol utilizando o restante. Isso deve gerar 6,1 milhões de toneladas de açúcar (13,2% a mais) e 3,04 bilhões de litros de etanol (aumento de 13%).
O setor sucroenergético de Minas atua em 110 municípios, sendo 28 com usinas para moagem de cana.
ELEVAR MISTURA
Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, esteve presente no evento e anunciou que no dia 7 levará ao CNPE a proposta de aumentar a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, para diminuir a dependência de combustível importado.
No início do mês, ele já havia comentado sobre o aumento da mistura. O Brasil importa em torno de 15% da gasolina que consome, e o preço do combustível no mercado internacional subiu 65% depois do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Na região centro-sul do Brasil, principal produtora, a consultoria Datagro prevê crescimento de 4% na safra, com volume recorde de etanol produzido, apesar das incertezas causadas pela guerra mencionada.
Essa região inclui estados como São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
A previsão é que a moagem de cana alcance 635 milhões de toneladas, maior que as 610,5 milhões da safra passada, mas ainda menor que o recorde de 654,4 milhões de toneladas de 2023/24.
O presidente da Datagro, Plínio Nastari, destaca que o resultado final depende das condições dos canaviais até o final de abril, que vão influenciar a produção no segundo semestre.
