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sexta-feira, 24/04/2026

Dólar cai e fecha em R$ 4,99 com melhora no ambiente de risco

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O dólar comercial fechou a sessão desta sexta-feira cotado a R$ 4,9982, apresentando leve queda de 0,11%. Essa queda ocorre devido à diminuição da aversão ao risco no cenário global, motivada pela expectativa de um possível acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, que pode ser discutido no Paquistão durante o fim de semana.

Após um período de valorização do real, o mercado cambial brasileiro passou recentemente por algumas oscilações causadas por realizações de lucros e ajustes técnicos. O governo também tem implementado medidas para conter a alta dos preços dos combustíveis, o que gerou um aumento temporário dos riscos fiscais e impactou os prêmios de risco da moeda.

O Banco Central anunciou uma operação especial nesta sexta-feira, oferecendo US$ 1 bilhão em swaps cambiais reversos e vendendo US$ 1 bilhão em moeda à vista, embora não tenha aceitado propostas nessas operações. Essa decisão pode indicar que o BC não quis sustentar os prêmios de risco pedidos pelos investidores.

Apesar da alta de 0,30% no dólar na semana, a moeda acumula queda de 3,48% no mês de abril e uma redução de 8,94% no ano, colocando o real como a moeda com melhor desempenho entre as principais moedas líquidas em 2026.

O índice DXY, que mede o comportamento do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, recuou moderadamente no dia e fechou próximo da mínima, mostrando quedas no mês, mas pequenos ganhos na semana.

Nos Estados Unidos, a Casa Branca confirmou que os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner viajarão ao Paquistão para negociações com representantes do Irã. Caso essas conversas sejam promissoras, um encontro direto entre as partes poderá ocorrer no domingo.

O preço do petróleo também recuou nesta sexta-feira, com o barril de Brent fechando em US$ 99,13, embora tenha apresentado valorização significativa durante a semana devido às incertezas no Oriente Médio e nas rotas de transporte pelo Estreito de Ormuz.

Especialistas indicam que o cenário externo continua influenciando a taxa de câmbio no curto prazo, enquanto fatores domésticos podem causar oscilações pontuais. O mercado recebeu com certa tranquilidade o projeto de lei complementar que busca aliviar a tributação sobre combustíveis usando receitas extras do petróleo.

A especialista Viviane Las Casas, da Valor Investimentos, comentou que, apesar das medidas fiscais chamarem atenção, elas são temporárias e relacionadas às negociações do conflito no Oriente Médio, não indicando riscos de forte pressão sobre o real no momento.

Mercado de Ações

O índice Ibovespa terminou a sexta-feira em 190.745,02 pontos, com queda de 0,33%, acumulando perdas semanais de 2,55%. Embora o índice tenha oscilado abaixo dos 190 mil pontos em alguns momentos, ainda apresenta alta de 1,75% no mês e 18,38% no ano.

O volume financeiro ficou em R$ 24,9 bilhões, com os papéis da Petrobras acompanhando a queda do preço do petróleo e influenciando negativamente o índice. As ações da Vale tiveram leve baixa.

No lado positivo, destacaram-se as ações da Hapvida, Usiminas e Braskem, enquanto Brava, Vamos e Cury foram as que mais caíram na sessão.

Analistas apontam que o cenário geopolítico ainda domina o mercado, mas que a retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã traz certa esperança, mesmo sem sinais claros de avanços significativos.

Juros e Expectativas

No mercado de juros futuros, o pregão mostrou alívio com a possível resolução do conflito, mas a cautela na expectativa das negociações evitou quedas expressivas nas taxas. Os contratos de DI para 2027, 2029 e 2031 recuaram modestamente.

Autoridades iranianas e americanas se reunirão no Paquistão neste fim de semana para discutir o conflito, o que tem impactado positivamente o sentimento do mercado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã pretende apresentar uma proposta para atender às exigências americanas, embora o conteúdo ainda seja desconhecido.

Segundo especialistas, a semana foi marcada por oscilações de percepção de risco, com a geopolítica sendo o principal motor dos mercados, mas também houve foco em resultados corporativos positivos, especialmente no setor de tecnologia.

Na próxima semana, a decisão sobre juros pelo Comitê de Política Monetária é aguardada, com a maioria do mercado prevendo um corte mínimo na taxa Selic.

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