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quinta-feira, 12/03/2026




Parakanã volta a ocupar terra indígena no Pará

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Dois anos depois que invasores foram retirados da Terra Indígena Apyterewa, no sudeste do Pará, o povo Parakanã está voltando a ocupar seu território e planejando o futuro, mesmo com ameaças de fazendeiros e grileiros.

A remoção dos invasores foi ordenada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023 e começou em outubro do mesmo ano na TI Apyterewa. A ação, coordenada pela Casa Civil com a participação de 20 órgãos federais, aconteceu em nove territórios na Amazônia Legal, beneficiando 60 mil indígenas. Em Apyterewa, a operação foi a mais difícil por causa da interferência de políticos e fazendeiros. Mais de 2 mil pessoas não indígenas foram retiradas nos primeiros meses e, em março de 2024, a terra foi oficialmente devolvida aos Parakanã.

Não há mais invasores ilegais, mas o governo continua a retirar o gado que ficou. Dos 50 mil bois que estavam na área, cerca de 1.300 ainda pastam em diferentes pontos, vigiados pelo Ibama. Em dezembro, uma operação para tirar esses animais terminou com a morte de Marcos Antônio Pereira da Cruz, vaqueiro contratado pelo Ibama. A Polícia Federal prendeu um suspeito em janeiro, e as investigações continuam em segredo.

Os Parakanã relataram oito ataques às aldeias depois da retirada dos invasores, incluindo um indígena ferido na perna e um ataque contra o carro da Associação Tato’a. O cacique-geral Mamá Parakanã diz que as ameaças continuam, mas a área é oficialmente protegida desde 2007, com 773 mil hectares onde vivem cerca de 1.400 indígenas.

A invasão feita por fazendeiros causou o maior desmatamento da Amazônia naquela região, chegando a 102 km² em 2022. Depois que os invasores foram removidos, o desmatamento caiu mais de 90%, para 7,5 km² em 2025, segundo dados do Inpe. Os indígenas contam que a vida selvagem está voltando, como jabutis e mutuns, o que ajuda na caça.

Órgãos como Funai, Ibama e o Ministério dos Povos Indígenas continuam protegendo a área. O Ministério da Justiça reforçou a segurança com a Força Nacional em dezembro de 2025, incluindo especialistas e drones, com mais apoio previsto. O secretário Marcos Kaingang destacou que as ações vão continuar para proteger os direitos dos povos indígenas.

Enquanto isso, os Parakanã buscam parcerias para reflorestar a floresta e recuperar sua cultura. Wenatoa Parakanã, presidente da Associação Tato’a, destaca o treinamento de mulheres para plantar sementes. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil reforça que a presença do governo é fundamental para proteger a cultura e o modo de vida dos indígenas.




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