Em março, antes do reajuste anual feito pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), os preços dos medicamentos usados em hospitais tiveram uma queda média de 0,48%. Isso é mostrado pelo Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), criado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados da plataforma Bionexo.
Esse resultado indica uma desaceleração nos preços dos medicamentos hospitalares, mesmo com outros setores da saúde enfrentando aumentos, mostrando que a formação dos preços neste mercado é diferente.
Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o grupo Saúde e Cuidados Pessoais teve alta de 0,42% em março, enquanto a inflação geral foi de 0,88%. No acumulado de 12 meses, os serviços de saúde e planos tiveram aumentos acima de 6%, mostrando um cenário pressionado no setor.
Diante disso, a queda dos preços hospitalares é notável por ser contrária a esses indicadores, destacando a influência de fatores como negociação, demanda e estratégias comerciais da indústria, segundo a Fipe e a Bionexo.
A redução foi observada na maioria dos grupos de medicamentos, com destaque para os do aparelho respiratório (queda de 2,70%), preparados hormonais (1,91%) e órgãos sensitivos (1,49%).
No primeiro trimestre, o índice mostra uma redução de 1,05%, e em 12 meses, uma queda de 2,78%, indicando que os preços no mercado hospitalar estão desacelerando.
Herbert Cepêra, Diretor Executivo da Bionexo, explica que o resultado de março evidencia que o mercado hospitalar tem uma formação de preços própria. Ele destaca que, mesmo com os custos de saúde aumentando em outras áreas, os medicamentos hospitalares apresentam comportamento diferente, influenciado pela negociação, demanda e estratégias da indústria.
Ele ainda comenta que este período de acomodação antes do reajuste regulado pode afetar decisões comerciais e de compra ao longo da cadeia, embora pressões pontuais em medicamentos de alto valor e importados possam ocorrer.
Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe, afirma que o resultado é importante pois ocorre antes do reajuste anual da Cmed e indica que o mercado hospitalar funciona de forma diferente do varejo farmacêutico. Ele também comenta que a valorização do real ajudou a reduzir as pressões sobre medicamentos importados, principalmente os de maior valor.
Estadão Conteúdo.
