A nomeação da coronel Glauce Anselmo Cavalli para liderar a Polícia Militar de São Paulo é um marco importante, pois é a primeira vez em quase 200 anos que uma mulher assume esse cargo no estado. Atualmente, além de São Paulo, apenas o estado do Acre tem uma mulher no comando da PM. Isso significa que, em 27 estados brasileiros, menos de 10% das polícias militares são chefiadas por mulheres.
A decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 16 de abril de 2026.
Essa escolha é vista como um avanço na presença feminina em posições de liderança na segurança pública de São Paulo.
A coronel Glauce Anselmo Cavalli substitui o coronel José Augusto Coutinho, que comandava a instituição desde maio de 2025. O governador destacou que ela está muito bem preparada para liderar a maior tropa policial do país.
Apesar do aumento do número de mulheres nas forças policiais, elas ainda são minoria nos cargos mais altos de comando, e muitos estados brasileiros nunca tiveram uma comandante-geral do sexo feminino.
Algumas mudanças estão acontecendo, mas de forma pontual. Antes da nomeação da coronel Glauce Cavalli em São Paulo, a única mulher no comando da PM no Brasil era a coronel Marta Renata Freitas, no Acre, que assumiu em dezembro de 2024, tornando-se a primeira mulher a liderar a corporação em 108 anos.
A coronel Marta Renata Freitas ingressou na Polícia Militar em 2005 e está atualmente fazendo mestrado em Direitos Humanos com foco em Segurança Pública na Universidade Federal de Goiás (UFG).
O Distrito Federal também já teve uma mulher no comando da Polícia Militar: a coronel Ana Paula Habka liderou a instituição entre janeiro de 2024 e abril de 2026, e se aposentou após 32 anos, sendo a segunda mulher a ocupar esse posto.
Especialistas apontam que barreiras institucionais, culturais e históricas dificultam a ascensão das mulheres aos cargos máximos de comando, que são escolhidos pelos governadores com base em uma lista dos oficiais mais antigos. Por isso, a nomeação em São Paulo tem grande importância simbólica, pois além de quebrar um tabu, pode incentivar o crescimento de novas lideranças femininas na segurança pública do país.
Estadão Conteúdo
