No Dia Mundial do Parkinson, celebrado em 11 de abril, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), apresentam uma tecnologia inovadora que pode melhorar significativamente a vida das pessoas que sofrem com a doença.
Os tremores característicos do Parkinson afetam muito mais do que o aspecto clínico – comprometem a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida, dificultando ações simples como escrever, segurar objetos ou se alimentar. Pensando nisso, a equipe liderada pela professora Marcela Rodrigues Machado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Tecnologia da UnB desenvolveu um dispositivo vestível capaz de reduzir esses tremores.
Esse avanço tecnológico é baseado em metamateriais inteligentes, que respondem a estímulos específicos como vibrações, funcionando como um filtro que diminui a intensidade dos tremores sem prejudicar os movimentos voluntários do usuário. Sensores incorporados registram os padrões de movimento, possibilitando o monitoramento contínuo da evolução da doença.
Além disso, o uso de materiais piezoelétricos permite que o próprio dispositivo aproveite a energia gerada pelos tremores para se alimentar, tornando-o mais eficiente. Diferentemente das órteses tradicionais, esta solução é leve, adaptável e programável, acompanhando as mudanças nos tremores sem necessidade de substituição constante.
Testes laboratoriais indicam resultados promissores, com uma redução significativa dos tremores, incluindo os de baixa frequência, um desafio comum nesta área. Caso seja disponibilizada no mercado, a tecnologia pode representar um grande avanço para pacientes com Parkinson, promovendo maior estabilidade e segurança nas atividades diárias.
A iniciativa também contribui para a formação de novos talentos, envolvendo estudantes em pesquisa, desenvolvimento e experimentação. Com investimento de R$ 1 milhão da FAPDF, o projeto está em fase de validação laboratorial e busca avançar para testes mais avançados até a aplicação prática.
Professora Marcela Rodrigues Machado ressalta que o suporte da FAPDF foi essencial para transformar a pesquisa em uma solução concreta e prática, destacando a importância do investimento para infraestrutura e formação da equipe.
