Os Estados Unidos anunciaram uma taxa de 25% sobre determinados produtos importados do Brasil, decisão que vai além de questões comerciais, envolvendo motivações políticas e protecionistas, segundo especialistas e membros do governo brasileiro.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluiu uma investigação que iniciou em julho de 2025, envolvendo mais de 70 países, mas apenas o Brasil teve a conclusão divulgada. O USTR alega práticas comerciais injustas por parte do Brasil, sugerindo a aplicação da tarifa devido a essas irregularidades.
Motivações econômicas e políticas
Segundo Welber Barral, especialista em comércio internacional, a ação dos EUA está relacionada a uma disputa econômica. Entre as justificativas estão tarifas que o Brasil cobra, desmatamento ilegal e políticas de pagamento eletrônico que prejudicam empresas americanas. O caso do Pix, sistema de pagamento brasileiro, é apontado como um dos motivos, pois teria reduzido o uso de bandeiras de cartão de crédito americanas.
Essa medida pode ser uma forma de pressão para que o Brasil faça concessões econômicas aos EUA, similar ao que ocorreu nas negociações da União Europeia com o Mercosul.
Principais práticas citadas contra o Brasil
- Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: restrições e ordens judiciais contra empresas americanas de mídia social e favorecimento do Pix.
- Tarifas preferenciais: tratamento tarifário diferenciado dado pelo Brasil a produtos do México e da Índia.
- Combate à corrupção: medidas consideradas insuficientes para enfrentar suborno e corrupção.
- Propriedade intelectual: atrasos no processamento de patentes e combate insuficiente à pirataria.
- Acesso ao mercado de etanol: alteração no tratamento tarifário do etanol brasileiro sem recíproca para exportações dos EUA.
- Desmatamento ilegal: falhas na aplicação eficaz das leis contra o desmatamento.
Contexto político
Além de interesses protecionistas, há uma motivação política evidente. O anúncio foi feito logo após a visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca, onde se reuniu com o presidente Donald Trump e autoridades americanas. Essa relação política é vista com desconfiança pelo governo brasileiro, que acusou setores da oposição de sabotar as negociações entre os países.
O governo do presidente Lula afirmou que as acusações norte-americanas são infundadas e que a medida tem conotações políticas, sendo prejudicada por interesses eleitorais e familiares adversários. O senador Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, classificou o Brasil como um país ‘não aliado’ na região, sugerindo que a situação pode mudar após as eleições brasileiras.
Por fim, o presidente Donald Trump compartilhou fotos do encontro com Flávio Bolsonaro, destacando a inteligência e paixão do senador pelo Brasil. Esses acontecimentos refletem o reposicionamento do Brasil na política externa americana, ainda influenciada por temas internacionais como a situação no Irã.

