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quarta-feira, 03/06/2026

Governo denuncia pressão contra Pix; agro e indústria buscam diálogo

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Brasília, 2 – O governo brasileiro criticou a alta tarifária imposta pelos EUA, afirmando que há uma pressão de empresas americanas de cartões de crédito contra o Pix. Essas empresas alegam que o Pix recebe um tratamento especial que prejudica os negócios dos EUA.

O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que não faz sentido envolver o Pix nessa questão, já que ele beneficia muito a população brasileira. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o Pix como símbolo da soberania financeira do Brasil e refutou as críticas feitas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA.

Autoridades brasileiras interpretam que as críticas fazem parte de uma tentativa de privatizar o Pix, e o ministro Durigan sugeriu que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro estaria envolvida nesse movimento, mencionando o senador Flávio Bolsonaro, que se encontrou recentemente com o presidente americano, Donald Trump.

Durigan também afirmou que as informações usadas na investigação americana estão desatualizadas e que o Brasil tem feito avanços em áreas como combate ao desmatamento, melhoria das condições de trabalho, aumento da renda e respeito à propriedade intelectual.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) destacou que as avaliações dos EUA são baseadas em informações incompletas e reforçou que o Pix é uma infraestrutura aberta que promove a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos, beneficiando a economia.

AGRO E INDÚSTRIA

Setores produtivos manifestaram preocupação com a medida americana. A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado, Tereza Cristina, afirmou ser difícil reverter a adoção das tarifas até 15 de julho, prazo previsto para a medida entrar em vigor, mas seguirá avaliando experiências internacionais para tentar mudanças.

A indústria também criticou o tarifaço. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, ressaltou que a relação econômica entre Brasil e EUA é estratégica e duradoura, e que a tarifa prejudicaria ambos os lados, reforçando a importância do diálogo e análise técnica.

Dados da CNI mostram que, em 2025, as exportações brasileiras para os EUA caíram em nove dos 15 principais setores industriais, com quedas significativas em produtos de metal, madeira, celulose, papel e veículos automotores.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que acompanha o relatório do USTR com preocupação e destacou a necessidade de uma ação rápida e firme do governo para evitar prejuízos às exportações.

De maneira semelhante, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) alertou que a proposta pode prejudicar a competitividade dos produtos brasileiros, gerar incertezas para empresas exportadoras e afetar investimentos, empregos e comércio exterior.

Estadão Conteúdo

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